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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Mensagem 21º dom. após Pentecostes B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 119.9-16; Ec 5.10-20; Hb 4.1-13; Mc 10.23-31 – 21º dom. após Pentecostes B 2015
Jesus é nosso maior tesouro
vv. 29-30: “Disse Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que deixou casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por causa de mim e do Evangelho, que não receba o cêntuplo no tempo presente de casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições e, na era vindoura, vida eterna”.
Em um dos nossos cânticos, nós fazemos a seguinte pergunta: “Quem é que mora no seu coração”? E logo depois fazemos essa afirmação: “Onde está o seu tesouro, ali estará o seu coração”. Então... onde está o seu coração? Ou, a mesma pergunta de outro modo: O que vem em primeiro lugar na sua vida? O que você busca independente da sua situação de saúde, financeira, social; independente da sua idade, do local onde você se encontra ou as pessoas que estão à sua volta?
Muita gente não tem clareza sobre isso. Não sabe exatamente o que quer da vida ou qual seu objetivo no mundo. Muitos outros sabem exatamente o que querem e qual seu papel na sociedade, na família, na igreja, mas, infelizmente, o seu conceito de objetivo é equivocado e, assim, acabam vivendo uma ilusão. Pensam que seu coração está no lugar certo quando, na verdade, não está.
Esta era a situação, por exemplo, daquele homem do qual falamos semana passada que foi se encontrar com Jesus para saber como poderia herdar a vida eterna. Um jovem-adulto que tentava agradar a Deus cumprindo o seus mandamentos, mas que ainda não tinha encontrado a paz com Deus. Não tinha certeza da salvação.
É importante lembrar a história já que o texto de hoje é a continuação. Foi logo depois de ver aquele rico saindo triste da sua presença que Jesus fez o seu alerta quanto às riquezas que este mundo oferece. É ali que muitos depositam a sua segurança, a sua confiança, a sua dedicação e até amor. É ali que está o seu coração.
Na Bíblia toda nós vemos que ricos e pobres sempre existiram e tudo conforme a permissão de Deus. A Bíblia mostra que o problema nunca está nas riquezas (dinheiro, bens, propriedades), mas na maneira como tudo isso é administrado e no valor que nós damos para essas coisas. Muitos dos profetas prometeram castigo aos ricos. Não por terem riquezas, mas pelo abuso de poder, pela extorsão dos pobres ou por não ajudar o necessitado.
De forma geral, aprendemos que tudo, absolutamente tudo mesmo, só tem um proprietário que é Deus, o Criador dos céus e da Terra. E Deus, na sua graça e bondade, distribui o que é dele entre nós, suas criaturas, a fim de sermos administradores desses bens. De modo que não há diferença nenhuma entre o rico e o pobre, porque tanto o que um tem como o que o outro tem, não lhes pertence. É de Deus.
O mundo sempre cometeu esse grande pecado de idolatrar mais as bênçãos do que o Benfeitor. Hoje em dia, graças à mídia, à comunicação em massa e ao monte de gente que parece ter horas de sobra para ficar na frente da televisão, internet, celular – e, ainda por cima, sem um pingo de senso crítico – a coisa tem piorado bastante.
Em um mundo onde feliz é aquele que tem dinheiro, poder e fama, os outros 99% insistem em acreditar na mentira de que não podem ser felizes. Por que mais você vê tanta gente que já desistiu da vida? Não fazem nada pelo seu desenvolvimento profissional ou acadêmico e ao mesmo tempo ficam reclamando que a vida é injusta, que a culpa é do governo e por aí vai.
Essas pessoas não têm prazer na vida. Não têm objetivo. E como o mundo todo fica dizendo que a felicidade é derivada dos verbos “comprar” e “possuir”, continuam correndo atrás do vento. Provavelmente não vão chegar a ser um Bill Gates ou um Ronaldinho Gaúcho, mas no seu entender, se tiverem mais dinheiro, com certeza vão ser mais felizes do que são agora.
Mas para a gente não acabar fugindo do assunto vamos voltar ao nosso texto e lembrar o que Jesus está dizendo. A maior preocupação de Jesus com aqueles que possuem muito mais do que o necessário para viver é em relação ao seu destino eterno.
Isso porque tanto o dinheiro, como o poder ou a fama geram aquela falsa sensação de ser um super-herói. Ao mesmo tempo temido e amado por todos, vive como se fosse um deus em meio a meros mortais. E desde quando alguém assim precisa ter medo do diabo ou do inferno? Ele tem dinheiro!
“Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas”! Esse é o alerta de Jesus para todos os que colocam o seu coração nas riquezas e nos prazeres deste mundo.
E é interessante perceber a maneira como Jesus chega neste ponto: Percebam que, na primeira vez que Jesus diz isso, ainda em razão do rico que tinha saído dali triste, ele diz que é muito difícil um rico entrar no céu. Porém, na segunda vez, ele diz a mesma coisa para todos. Ele simplesmente diz: É muito difícil alguém entrar no reino de Deus.
Pode ser que a gente olhe para esse texto e pense assim: “Ah, isso não tem nada a ver comigo; Jesus está falando isso para os milionários”. Preste atenção que o que Jesus está dizendo é para todos nós. Tornemos a lembrar: O problema não são as riquezas, mas o pecado que está no coração humano.
E todos nós, como pecadores que somos, temos essa tendência a amar mais as bênçãos do que o Benfeitor. O nosso coração naturalmente se inclina à Criação e não ao Criador. Vemos aquilo que é nosso como se fosse nosso e não de Deus e nosso objetivo de vida passa a ser cada vez ter mais coisas que podemos chamar de “nosso”.
O que muita gente não leva em conta é que a busca pela felicidade nas riquezas que o mundo tem é um investimento de alto risco. Porque junto com o dinheiro vêm as preocupações. O infeliz vive dizendo “Ah! Se eu tivesse isso; ah! Se eu tivesse aquilo”. Quanto mais coisas eu tenho, mais coisas eu tenho com que me preocupar.
Aí você vai dizer: Nossa, pastor! Falando assim até parece que é ruim ter dinheiro. Isso é um apelo ao voto de pobreza ou o quê? Não é nada disso! Sejamos realistas: Nessa precariedade que a gente encara no Brasil, quanta gente só conseguiu um atendimento decente porque pagou por uma consulta; porque pagou por uma cirurgia.
Então não entra nessa de se contentar com muito pouca coisa (“se deu para fechar o mês já está bom!”) porque um dia pode fazer falta. Sim, Deus cuida. Mas ele pode cuidar melhor de quem administra o que tem. Não é porque Deus lhe protege que você atravessa a BR sem olhar para os lados.
Não é pecado ter dinheiro no banco. Não é pecado lutar por uma melhor condição financeira e estabilidade. A Bíblia diz que “o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. O problema não é o dinheiro, é o amor ao dinheiro que afasta as pessoas do amor de Deus.
A atitude daquele jovem rico, ao sair triste da presença de Jesus, mostrou que o seu coração estava nas propriedades que possuía. Pode até ser que ele amava a Deus, caso contrário não estaria preocupado em cumprir os seus mandamentos. Só que maior do que o amor a Deus era o amor ao dinheiro. E as nossas atitudes, o que elas têm demonstrado? Onde está o seu coração?
As leituras de hoje mostraram onde deve estar o nosso coração. O salmista diz que o prazer do cristão está na Palavra de Deus e nos seus mandamentos. Salomão lembrou que não tem nada de errado em aproveitar as coisas que Deus nos dá, desde que não se tornem nossa prioridade.
Jesus nos dá um novo conceito de riqueza. Ele nos faz lembrar que vivemos puramente a partir da graça de Deus de onde vem tudo o que somos e possuímos. Rico é aquele que reconhece as bênçãos de Deus na sua vida e é agradecido por elas. E também cuida do que tem sabendo que não é dono.
Agindo assim, com gratidão a Deus e auxílio mútuo, é que estamos sendo bons administradores das coisas de Deus. Amém.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Mensagem 20º dom. após Pentecostes B 2015




Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 90.12-17; Am 5.6-7,10-15; Hb 3.12-19; Mc 10.17-22 – 20º dom. após Pentecostes B 2015
Só em Jesus temos vida eterna
v. 21: “E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma cousa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me”.
“Que farei para ser salvo”? Esta foi a pergunta que o carcereiro de Filipos fez ao apóstolo Paulo, conforme o relato de At 16. Esta também é a pergunta de milhares de cristãos ao redor do mundo que acertadamente se preocupam com o destino do seu corpo e alma. Assim como aquele carcereiro, muitos, diante do terror da morte, querem saber como alcançar a vida.
Essa também foi a pergunta daquele homem que foi se encontrar com Jesus conforme lemos hoje no evangelho de Marcos. E, a partir deste texto, essa é a pergunta que também nós queremos responder. Afinal, também nós queremos ir para o céu.
O relato do jovem rico (embora tudo indique que ele não era tão jovem assim) tem várias características interessantes e uma delas aparece logo no início. O texto diz que quando ele chega, ele se ajoelha diante de Jesus. Mesmo sendo um homem importante, um líder judeu, ele não lida de igual para igual com Jesus. Ele se mostra inferior a Jesus e ainda o chama de bom mestre.
E essas são atitudes que ele mantém até o final. Então, se você é um daqueles que aprendeu a olhar para o jovem rico como alguém arrogante, que se achava o bom, talvez esteja na hora de rever alguns conceitos. E aí vem a tal pergunta: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna”?
Antes de a gente ver qual foi a resposta de Jesus (como se a gente já não soubesse!) nós percebemos que tem uma contradição nessa pergunta. “Que farei para herdar a vida eterna”? Como assim “que farei”? Se é uma herança, então não tem que fazer nada, é só esperar!
A não ser que ele estava dizendo “herdar” no sentido de conquistar. Mas parece que não é isso. A impressão que dá é a seguinte: Como um homem instruído, ele conhecia as Escrituras e com certeza sabia das tantas promessas do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias e a salvação.
É como se lá no fundo algo dissesse que a salvação é uma herança. Que a salvação já está preparada. Que não falta nada. Mas ao mesmo tempo essa certeza, essa crença não podia emergir porque estava soterrada pelo ensinamento que tinha recebido. Uma fé que não podia aparecer porque conflitava diretamente com tudo aquilo que, desde a infância, tinha aprendido de que a salvação precisa ser conquistada.
E quem alcança esse estágio da vida espiritual e religiosa confiando em si mesmo, nas suas obras, nas leis que cumpre, nas cerimônias que guarda, só pode ter dois finais. Um é o da hipocrisia: Quando a pessoa acha mesmo que é digna de receber a vida eterna por causa daquelas coisas que faz ou deixa de fazer. Cristo é colocado de lado ou, no máximo, é alguém que ajuda na salvação. Mas ter a salvação é um mérito de quem faz por merecer. O outro final é o do desespero: Quando a pessoa já fez tudo aquilo que pensava ser necessário para receber a salvação, mas ainda não encontrou a paz com Deus. É o momento em que a pessoa entra no desespero de se perguntar constantemente: Será que eu já fiz o suficiente pela minha salvação?
Já parou para pensar que coisa terrível é viver com essa dúvida? Quanta gente ao nosso redor será que não vive nesse mesmo desespero! Fazer de tudo pelo reino de Deus e, ainda assim, não sentir a paz de Deus, não se sentir amado por Deus, não sentir o consolo e a alegria da salvação.
É a essas pessoas que Jesus nos envia para anunciar o Evangelho. Não que não devemos anunciar a todos sempre que houver possibilidade. Mas a mensagem precisa ser adequada a quem a recebe. Ao hipócrita, que está seguro em si mesmo, a pergunta a ser feita é: E onde fica Cristo nessa história toda? Paulo diz que se a salvação depende de nós, então Cristo morreu em vão. Além do mais, a Bíblia diz que todos pecaram e só merecem a condenação. Será que nós podemos mesmo ser tão bons assim para mudar essa situação?
Já ao aflito e desesperado, que sofre porque teme a Deus, mas não sente o amor de Deus, a esse é preciso dizer com todas as letras que Deus já nos amou desde antes da fundação do mundo. Que Deus nos ama mesmo com o nosso pecado porque a salvação vem de Cristo e ele lava o nosso coração todos os dias.
Com aquele homem, como Jesus sabia que ele firmava sua esperança nos mandamentos, Jesus nem exatamente dá um resposta, ele só faz uma afirmação: Você conhece os mandamentos. E como era isso mesmo que ele esperava ouvir de Jesus, não se espanta, não reclama, não muda de assunto, simplesmente concorda: Sim, eu conheço os mandamentos. E não só conheço, mas também vivo de acordo com eles.
O que imediatamente a gente percebe quando lê esse texto é que Jesus só cita os mandamentos da segunda taboa da Lei. Isso por uma razão nem tão difícil de entender: São os mandamentos que se referem à nossa relação com o nosso próximo. São mandamentos que qualquer pessoa pode cumprir, mesmo que imperfeitamente. E são mandamentos que são fáceis de analisar se estamos cumprindo ou não.
Dessa maneira Jesus conseguiu estender mais um pouco a conversa porque ele sabia que aquele homem era realmente uma pessoa temente a Deus. Alguém que realmente valorizava os mandamentos de Deus e se esforçava para os cumprir. Só que cumprir a maioria dos mandamentos parece que não era o suficiente. Ainda estava faltando alguma coisa. E era bem essa a preocupação daquele homem.
E como Jesus encerra a conversa? – Bom, então só falta uma coisa: Se desfaça de tudo o que você tem em benefício dos pobres e depois me siga.
O que acontece aqui também não é difícil perceber. Como ele perguntou a Jesus o que precisava ser feito para ter a vida eterna, Jesus disse o que precisava ser feito. Em outras palavras: Se é lei que você quer, é lei que você vai ter. Se é possível guardar essa lei toda, aí já é outra história.
A questão é que, como já foi dito, os mandamentos da segunda taboa qualquer pessoa tem capacidade de guardar uma boa parte – claro, desde que os leve a sério. Mas os mandamentos da primeira taboa – não falar o nome de Deus à toa, amar a Palavra de Deus e querer saber mais sobre ela, temer e amar a Deus acima de todas as coisas – esses são mandamentos que só podem ser cumpridos pela fé. A rigor, a única coisa que importava de tudo o que Jesus disse era apenas uma palavra: Segue-me.
O que Jesus quis mostrar àquele jovem é que ninguém alcança a salvação pela Lei. Em primeiro lugar porque ninguém consegue. Além de cometermos pecados, já nascemos pecadores. E em segundo lugar, porque não foi esse o caminho que Deus escolheu para salvar a humanidade.
Mas se é assim a coisa, então quem pode ficar tranquilo? Ora, aquele que crê em Jesus. Aquele que, em vista dos seus muitos pecados, se agarra em Jesus na certeza de que ele morreu pelos nossos pecados e assim já conquistou por nós o perdão de Deus, a paz com Deus, o amor de Deus e a certeza da vida eterna.
Por isso, quando você também se perguntar “que farei para ser salvo?” lembre do seguinte: A Lei de Deus é importante porque nos ensina a fazer a sua vontade. Além de apontar as nossas falhas, mas isso também é bom. Quem não enxerga os seus pecados nunca vai entender o chamado para seguir Jesus. Jesus não mostra que somos pecadores para o nosso desespero, mas porque ele quer que busquemos nele o perdão dos pecados, a verdadeira vida cristã e a esperança da salvação. E tudo isso Jesus nos dá gratuitamente mediante a fé e a confiança de que nele nós temos a salvação. Amém.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Mensagem 19º dom. após Pentecostes B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 128; Gn 2.18-25; Hb 2; Mc 10.2-16 – 19º dom. após Pentecostes B 2015
O casamento à luz da vontade de Deus
v. 8: “E, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne”.
Falar sobre casamento nos dias em que vivemos é, sem dúvida, um grande desafio para todos nós. O que vemos no Brasil e no mundo é uma verdadeira bagunça quando se fala sobre isso. As leis variam de país para país e mesmo entre as igrejas cristãs há divergências na doutrina e na pregação. Isso tudo leva a, pelo menos, dois problemas que são evidentes: Ou cria pessoas com convicções erradas sobre o casamento ou pessoas que, de tantas dúvidas, não sabem nem se podem viver de consciência tranquila diante de Deus.
Que bom que tudo o que Deus quer que a gente saiba ele deixou escrito. E nas dúvidas que temos, podemos recorrer à palavra de Deus que, aliás, é rica sobre esse assunto. Só hoje lemos em Gn 2 sobre a instituição do casamento; o salmo lembrando que só pode ser feliz a família que teme a Deus, o Senhor; e também em Marcos alguma coisa sobre o que Jesus mesmo disse.
A discussão começa quando os fariseus perguntam a Jesus se é lícito a um homem repudiar a sua mulher. Jesus responde com outra pergunta: Ora, até parece que vocês não conhecem a Bíblia! O que Moisés ordenou sobre isso? – Ah, Moisés permitiu a separação desde que se fizesse uma carta de divórcio.
Nada podia ser mais atual e brasileiro do que o entendimento judaico de dois mil anos atrás. Na verdade o que se percebe é que já no tempo de Moisés se cometiam abusos em relação ao matrimônio. Isso porque muitos homens, naquela visão de superioridade em relação à mulher, se viam no direito de mandar a sua esposa embora por qualquer razão que se considerasse justificável.
A gente sabe muito bem que a única lei divina que permitia o divórcio era em caso de adultério. Quando, então, a parte inocente tinha o direito de pedir a separação. Mas a coisa foi se distorcendo com o tempo cada vez que mais que, no tempo de Jesus, já se considerava que Moisés mesmo tinha dado essa ordem como se, de fato, qualquer coisa podia ser considerada motivo para divórcio e que não tinha mal nenhum nisso (desde que se lavrasse a carta de divórcio).
Mas como Jesus interpreta essa passagem do Antigo Testamento? Ele diz: “Por causa da dureza do vosso coração” é que ele permitiu o divórcio. Uma pessoa de coração duro é uma pessoa totalmente inflexível. Por mais que Moisés dissesse que aquilo ia contra a vontade de Deus eles faziam mesmo assim.
E quando Moisés viu aquele bando de cabeças-duras que não aceitavam a palavra de Deus como se isso não valesse nada, a solução que ele encontrou foi essa: Dos males, o menor. – Se você vai abandonar a sua esposa, pelo menos vai escrever um documento expondo a razão disso para evitar que ela seja apedrejada por adultério.
Então nós vemos que quando Moisés ordenou que se escrevesse uma carta de divórcio era para proteger a parte inocente – que, naquele contexto, sempre era a mulher. Essa carta não foi instituída com o intuito de facilitar a separação de um casal ou de tornar isso menos errado diante de Deus.
Por isso é uma pena que, assim como no tempo de Moisés, também hoje há muitos corações duros que não deixam a palavra de Deus entrar. Gente que gosta de se dar por entendida quando na verdade não sabe de nada.
E aí você vê brigas e até agressões nos casamentos. O número de divórcios cada vez maior (e as estatísticas estão aí para mostrar isso). Lares sendo destruídos. E quando o casal já tem filhos: em que situação ficam aquelas crianças? Que exemplo elas recebem sobre o casamento? Isso sem falar das inúmeras consequências de uma criança ser criada por um só dos pais.
Só que todos esses se esquecem – ou nem estão aí para – o que Jesus diz aqui que “desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher”. Não adianta querer fugir a essa regra. Salvo raríssimas exceções, fomos todos criados para viver a dois. E as estatísticas estão aí para mostrar isso também: que a maioria dos divorciados se casam de novo ou, pelo menos, convivem com outra pessoa.
Como a gente tem a mania de pensar que o problema sempre está no outro, muita gente pensa que se divorciando e casando com outra pessoa não vai mais ter problemas. Bobagem. Isso não funciona. Não é o outro que tem de ser atacado, é o problema. Por isso quando um casal discute sobre alguma coisa ele tem que se preocupar em resolver o problema e não em descobrir quem é o culpado.
Certa vez alguém até usou a seguinte ilustração: Se a louça da sua casa está suja, você troca de casa para que esta venha com a louça limpa? Claro que não! Você lava a louça.
E por falar em louça, um problema que, especialmente, o homem tem é de pensar que na louça suja do casamento, se você deixar de lado por um tempo magicamente aquela sujeira some. E não adianta dizer o contrário, todo homem já tentou isso e todo mundo já percebeu que não funciona. A louça se acumula. Aquela sujeira vai grudando, vira uma “nhaca”. E cada vez fica mais difícil de limpar. Por isso, se a louça está suja, a questão não é quem sujou, a questão é que está suja. Vai lá e limpa.
Não queremos transmitir aos herdeiros da nossa geração que eles devem se casar porque no casamento não existe problema. Não querermos iludir ninguém. Mas precisamos transmitir com toda clareza e confiança que o problema não é o casamento, porque este é coisa boa, e sim como nos portamos no casamento.
Precisamos ensinar nossos jovens desde cedo que, embora o mundo tenha o tomado um rumo totalmente independente, a palavra de Deus continua válida. E nesta palavra Jesus diz que a busca pela felicidade fora do casamento é uma busca vã. É a ilusão na qual o mundo vive porque não conhece a Deus e não sabe que Deus estabeleceu o casamento para que a nossa alegria possa ser completa.
Lembrar também que ninguém precisa nem mesmo procurar pelo seu parceiro. O pessoal fica nessa de fazer um “test drive” para ver se os dois combinam. Ficam desesperados até entrando em sites de relacionamento na internet como se dependesse da gente encontrar a pessoa certa. É Deus quem providencia. Ele sabe quem é a pessoa certa.
Precisamos ensinar que é no casamento que Deus faz a maravilha de fazer de duas pessoas uma só carne e que, por esta razão, o que Deus ajuntou, que ninguém o separe. Precisamos ensinar que de todas as boas obras que podemos imaginar, todas elas juntas não valem mais do que o marido que ama e cuida da sua esposa ou a esposa que respeita e ajuda o seu marido.
Todos nós, infelizmente, cometemos erros e pecados em nossa vida. Desviamo-nos do caminho e da palavra de Deus. Muitos ainda precisam chegar ao arrependimento. Mas outros tantos carregam diariamente o peso da culpa pelos seus erros ou por aquilo que a sua consciência considera errado.
Por isso, quando o assunto é casamento, independente de qual seja a sua situação neste momento da vida; independente de quais sejam os pecados que afligem a sua consciência, lembre sempre que o perdão de Deus cobre multidão de pecados. E onde há um coração mole e arrependido, ali também há completa remissão dos pecados.
E o que mais pode ser essa remissão senão a certeza de que temos paz com Deus e que ele nos dá a chance de recomeçar a nossa vida? A chance de não repetir os mesmos erros. Quanta gente procura essa chance! Quanta gente queria voltar no tempo para fazer tudo diferente. E Deus nos dá essa chance todos os dias.
Por isso, aproveite essa oportunidade divina. “Coloque os pingos nos is”. Coloque as coisas em ordem e siga o conselho do rei Salomão: Seja feliz e aproveite os dias com essa pessoa maravilhosa que Deus colocou na sua vida. Amém.