Páginas

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Mensagem 12º dom. após Pentecostes B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 34.12-22; Pv 9.1-10; Ef 5.6-21; Jo 6.51-69 – 12º dom. após Pentecostes B 2015
Sabedoria e confiança
v. 68: “Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”.
Sabedoria e confiança. Eis aí dois ingredientes fundamentais para um bom relacionamento. Seja entre amigos, seja entre marido e mulher, patrão e empregado. Sabedoria para saber lidar com situações inesperadas e difíceis; confiança para saber que um pode contar com o outro, que um tem o apoio do outro.
Na continuação de João 6, agora já ao final do capítulo, somos hoje convidados a refletir sobre isso. Embora o texto de João não fale de sabedoria, os outros textos, especialmente Provérbios, nos fazem enxergar que sabedoria é coisa que vem de Jesus e como ela é importante.
Mas quando falamos da sabedoria que a Bíblia nos apresenta, sempre é inevitável perguntar: Quem é sábio? A Bíblia nos incentiva a buscar a sabedoria, a sermos sábios, a agirmos como sábios. Mas quem é sábio?
Primeiro é necessário perceber que Deus, na riqueza da sua Palavra, tem diferentes formas de falar de Jesus e de apontar para Jesus. Em Provérbios, por exemplo, Jesus é apresentado como a sabedoria. Por isso ele diz que o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria e nos impele tantas e tantas vezes a buscarmos a sabedoria.
Portanto, ser sábio, antes de qualquer coisa, é conhecer a Jesus, crer em Jesus, estar em Jesus. Agora que já cremos, nós podemos entender e aceitar o convite de buscar constantemente a sabedoria. Ou seja, de buscar constantemente a Jesus. Porém nada disso começou por nossa escolha, mas pelo milagre da conversão.
Inclusive, quando Jesus estava dizendo aos seus ouvintes que ele era o pão da vida e que o pão que ele daria ao mundo para que o mundo tivesse vida era a sua própria carne e sangue, ele percebeu que muitos não creram nas suas palavras. E mais adiante ele repete o que já tinha dito no versículo 44: “Ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido”.
E isso, ao mesmo tempo em que mostra que a fé em Jesus não parte de nós (como já vimos semana passada), também mostra que Deus quer nos atrair a Cristo. E há vários textos que dizem isso. Um bom exemplo sempre é Ez 33.11, onde lemos: “Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva”.
Isso tudo até nos faz pensar em uma possibilidade a mais no nosso testemunho e missão: Alguém já tentou pedir a um descrente que ore ao Deus verdadeiro pedindo fé em Jesus? Alguém vai dizer: – Mas de que adiantaria? Deus não vai ouvir a oração de alguém que nem crê nele. Será?
Se Deus é quem derrama chuvas sobre justos e injustos e faz nascer o seu sol sobre maus e bons (mostrando que ele não faz distinção), por que ele não ouviria a oração de um descrente? E ainda por cima uma oração pedindo fé. Claro que não vamos substituir o anúncio de Jesus, mas quem sabe esta seja uma última opção. Uma chance a mais de levar alguém a Jesus.
Aliás, o testemunho cristão é um dos frutos da sabedoria. A partir do momento em que somos feitos sábios mediante a fé, o Espírito Santo nos move a vivermos como sábios. E se ser sábio é crer em Jesus, viver como sábio só pode ser seguir o exemplo de Jesus e observar os seus mandamentos.
Quem crê em Jesus, mas não vive como sábio, pelo contrário, continua nos seus pecados e não busca servir a Deus com a sua vida, em primeiro lugar corre o grande risco de se afastar de Jesus até o ponto de cair da fé. Por isso, quem não vive diariamente o arrependimento e a nova vida em Cristo, por mais que se diga cristão, vive uma história que pode não ter um final feliz.
E, em segundo lugar, quem ignora o que Deus diz na sua Palavra e vive como se fosse o dono do próprio corpo e alma, perde a chance de ter uma vida na companhia de Deus. Podemos ter certeza de que quando a Palavra de Deus parece não trazer nenhum benefício não é porque lhe falte poder, conforto e orientação, mas porque nós não temos dado o devido valor e importância que ela merece. E por este desprezo à Palavra de Deus somos condenados a viver sem o consolo da companhia e proteção de Deus.
Por isso sabedoria e confiança andam de mãos dadas. Quem é sábio confia em Jesus e sempre busca nele o que precisa. E, em qualquer situação, mesmo na mais atroz adversidade, repete com Pedro: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna”.
É importante frisar que esta é a verdadeira confissão cristã, porque há quem busque a Jesus, mas “só por garantia”, por “prevenção”, também se refugia no dinheiro; ou confia em amuletos, horóscopo; busca auxílio na feitiçaria, na maçonaria. E, dessa forma, nega sua fé cristã, rejeita a Cristo e atrai sobre si a ira de Deus.
A fé cristã não precisa de muleta. Mas do que isso, a fé cristã não aceita muletas. Se Jesus não é o suficiente nas minhas aflições, nas minhas necessidades, então a minha fé não é verdadeira e eu peco grandemente contra o primeiro mandamento.
Ser sábio é confiar em Jesus e atender às suas palavras, aos seus ensinamentos e às suas promessas. Viver sabiamente é fazer a vontade de Deus na certeza de que ele sempre está presente e que ele quer guiar a nossa vida pelo melhor caminho, nos abençoar com a sua presença e, por fim, nos levar para junto de si num maravilhoso lugar onde não haverá mais luto, nem pranto, nem dor.
A grande esperança do cristão não se limita a viver bem, com saúde, com posses. Não se limita ao que este mundo tem a oferecer. Mas é para a vida eterna. Pedro não queria ir a nenhum outro porque é Jesus que tem as palavras da vida eterna. E são essas palavras que importam.
“No mundo vocês vão sofrer” diz Jesus. No mundo enfrentamos as consequências do pecado: sofrimento, morte, destruição. E, por isso somos tentados a buscar a solução disso tudo aqui mesmo.
Mas Jesus nos convida a recorrermos somente a ele. A colocarmos diante dele, em oração, toda angústia, amargura, desespero, ansiedade, na confiança de que ele nos ouve e nos atende e que ele sabe exatamente do que nós precisamos.
Ser sábio é confiar na Palavra de Deus que nos ensina a confessar: “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”. Ela também diz: Cairão mil à tua esquerda, dez mil à tua direita, mas tu não serás abalado. E o que Deus disse a Josué, ele também diz a cada um de nós: Sê forte e corajoso... Não porque você é bom, não porque você tem recursos, mas porque eu estou contigo.
Por isso nos nossos relacionamentos, precisamos cultivar a sabedoria e a confiança. Sabedoria para sabermos lidar com as diferentes situações e confiança para podermos sentir que não estamos sozinhos nem desamparados. Além, é claro, de sermos o amparo daquele que precisa.
E no nosso relacionamento com Deus, que só existe por causa de Jesus, sejamos sábios: confiemos sempre e unicamente em Jesus. É ele quem nos orienta e ajuda já nesta vida e o único que pode nos dar a vida eterna. Amém.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Mensagem 11º dom. após Pentecostes B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 34.1-8; 1Rs 19.1-8; Ef 4.17-5.2; Jo 6.35-51 – 11º dom. após Pentecostes B 2015
Jesus salva
v. 44: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”.
Por que você tem certeza da salvação? Onde você deposita a esperança ou a certeza da vida eterna nos céus? Esta, sem dúvida, é a grande questão da fé cristã e da vida cristã. Sabemos que tudo isso que vemos um dia terá um fim. Nosso objetivo, portanto, não pode se limitar àquilo que vemos. E só há uma “porta estreita” que dá passagem para o céu.
Essa “porta estreita” nem sempre nos é apresentada pelo mesmo nome. Nós vimos lendo o capítulo 6 de João onde Jesus se apresentou como “o pão da vida”. E esse também é o assunto em discussão no texto de hoje.
Aliás, o que acontece aqui é até, assim, um tanto incômodo – embora essa, com certeza, não seja a melhor definição. Jesus vinha falando sobre o pão da vida e ele se apresenta como o pão da vida. Mas aí ele muda de assunto e começa a falar da incredulidade dos seus ouvintes, da vontade do Pai, da vida eterna. E depois de tudo isso a pergunta que eles fazem é: Como assim “pão da vida”?
É como se eles tivessem colocado a si mesmos num modo de espera. Se desligaram momentaneamente. Só que, por causa disso, perderam partes importantes do ensino de Jesus. Por isso, se você quer ouvir e entender o que Jesus está dizendo, não desligue.
Em primeiro lugar, Jesus fala da incredulidade humana. Ou seja, que não está em nós a capacidade para crer em Jesus como nosso salvador. É muito comum em nossos dias exclamações do tipo “decida-se por Jesus”, “aceite Jesus”. Mas a Bíblia deixa bem claro que isso é simplesmente impossível.
E a gente fica impressionado e ao mesmo tempo entristecido em ver como essas bobagens vão se infiltrando mesmo em lares de pessoas que têm conhecimento bíblico. Uma vez um luterano veio falar de um CD de mensagens que ele tinha e citou uma que ele achava muito bonita e que dizia assim: Jesus está batendo na porta, ele quer entrar na sua casa, mas não esqueça que a fechadura está do lado de dentro e é você quem precisa abrir a porta para Jesus entrar.
Pode até ser que essa mensagem foi pregada com base em um texto, mas não um texto bíblico. Porque se a gente fosse usar uma ilustração assim para retratar o que a Bíblia diz sobre fé, ela teria de ser mais ou menos assim: Jesus está batendo na porta, ele quer entrar na sua casa. Você está do lado de dentro fazendo de tudo para Jesus não entrar, mas Jesus arromba a porta e entra. E só então você percebe: - Nossa! Como é bom ter Jesus aqui em casa.
E Jesus morar na nossa casa, no nosso coração, é precisamente a vontade de Deus. E é do que Jesus fala em seguida: a vontade de Deus é que ninguém se perca e incorra na condenação, mas creia em Jesus e seja salvo. E em terceiro lugar, Jesus fala da vida eterna que é a grande consequência da fé em Jesus como salvador.
E vejam como Jesus enfatiza isso: Só neste pequeno trecho que lemos hoje, Jesus afirma três vezes que ele foi enviado pelo Pai para fazer a vontade do Pai; e também três vezes ele repete a mesma frase sobre aquele que crê: “e eu o ressuscitarei no último dia”. A vontade de Deus é a salvação do pecador e para isso ele envia Jesus.
Porém muitos são os que se firmam em outros pilares, em outros fundamentos. Os judeus que ouviam Jesus se firmavam no cumprimento de suas inúmeras leis. Acreditavam que por fazerem isso ou aquilo mereceriam o favor de Deus.
Assim também hoje há quem pense que será salvo se cumprir fielmente os Dez Mandamentos. Ou ainda outras leis cerimoniais que Deus deu ao povo de Israel. Isso quando não inventam suas próprias leis por acharem que fazer isso ou viver assim é mais santo do que de outra forma.
Outros ainda depositam sua confiança nas roupas que usam, nos alimentos que ingerem, na abstinência total de bebidas alcoólicas. Ou então por jejuar, por subir escadas de joelhos, por repetir inúmeras vezes a mesma oração.
Mas aí precisamos fazer algumas perguntas: De que forma essas coisas exteriores e físicas podem afetar o que é interior e espiritual? Desde quando uma coisa tem a ver com a outra?
Além disso, se a salvação depende do nosso cumprir de leis, por que Jesus Cristo teve de vir ao mundo? Por que ele morreu inocentemente numa cruz? Por que Paulo diz em 2Co 5 que, em Jesus, Deus reconciliou o mundo consigo? Por que Jesus disse quando estava para morrer: “Está consumado”?
Porque a salvação vem de Jesus – e só dele! Por isso ele é a porta estreita, o pão da vida, o único caminho e a verdade. A vontade, o desejo de Deus é a nossa salvação e para isso ele entregou tudo o que tinha, pagou o mais alto preço: Ele deu o seu Filho para morrer por nós.
Jesus é o sacrifício perfeito e definitivo quando o assunto é salvação. O sangue inocente que verteu naquela cruz no Calvário foi o preço que Deus pagou por todos os nossos pecados para nos reconciliar com ele e nos dar a salvação.
Por isso não existe pecado mais grave, repugnante e imperdoável do que crer e viver como se a salvação ainda dependesse de nós. Tentar complementar a obra de Cristo e merecer a vida eterna mediante o cumprimento de leis e normas ou por meio de ações e omissões é desprezar a graça de Deus. É dizer para Deus: Eu não preciso da tua salvação. Eu me viro por conta própria.
A questão não é simplesmente de eu estar certo e você estar errado. O que está em jogo é o destino eterno de cada ser humano. E quem não crer assim como a Bíblia ensina não será salvo.
A esses que assim creem e vivem também precisamos anunciar o Evangelho salvador. Precisamos lembrar do que Jesus disse: que ninguém pode vir a mim a não ser que o Pai, que me enviou para trazer salvação, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia para a vida eterna.
E aos que forem mais teimosos e não se contentarem com a simplicidade destas palavras de Jesus, pode ser que você precise primeiro estudar um pouco mais e aí você vai dizer assim: Fulano, venha cá que eu preciso te explicar uma coisa.
– Aqui em Jo 6.44, quando Jesus diz que ninguém pode crer nele se Deus não o trouxer, literalmente essa palavra significa “arrastar” e sempre era usada para falar de alguma coisa que não se move por conta própria. É como arrastar um banco ou uma cadeira ou algum objeto assim que não se mexe sozinho. E quando se trata de pessoas, significa mover alguém que reluta em sair do lugar. Como Paulo e Silas, em At 16, que foram “arrastados” até a praça pública. Não que eles tenham sido arrastados pelo chão, mas com certeza não foram por vontade própria; eles foram compelidos a ir até lá.
E aí você pode concluir o seu argumento dizendo: – É assim que Deus nos traz à fé em Jesus. Se Deus não nos arrastasse até ele, se Jesus não arrombasse a porta do nosso coração ainda estaríamos inertes e presos no pecado destinados à condenação. Mas a graça de Deus vence o pecado, vence as barreiras do nosso coração porque o que ele mais quer é a nossa salvação.
Portanto, se agora queremos cumprir os mandamentos de Deus e praticar as boas obras da vida cristã não é porque ainda nos falte alguma coisa. Muito pelo contrário, assim fazemos justamente porque já temos a salvação.
Por que nós podemos ter certeza da salvação? Não é porque tentamos cumprir os mandamentos de Deus; também não é porque tentamos fazer o bem. Mas por causa daquilo que Jesus não só tentou, mas conquistou completamente. Ele morreu em nosso lugar, em paga pelos nossos pecados e por isso podemos desde agora viver a alegria da salvação para o dia da ressurreição para a vida eterna. Amém.

Oração:
O: Misericordioso Deus, cujo infinito amor e compaixão te levaram a entregar teu próprio Filho por nós,
C: ouve a nossa oração.
O: A ti pertence a salvação de todos os seres humanos e todos os que creem no teu Filho como único e suficiente salvador recebem graciosamente a salvação eterna. Por isso pedimos:
C: Sustém-nos nesta fé.
O: Porque bondosamente olhas para nós, tuas criaturas, com generosa benignidade e abençoa-nos ricamente todos os dias da nossa vida
C: te somos agradecidos.
O: [intercessões ocasionais] Porque com carinho e atenção estendes a mão sobre todos os sofredores e tens repleto de conforto ao doente e ao enlutado
C: te rendemos glória e louvor.
O: Acima de tudo, Senhor Deus, não permita que nossos olhos e corações se fixem em outro lugar que não em ti e na cruz do Senhor Jesus Cristo, a fim de que não sejamos enganados nem nos desviemos da pura e clara doutrina da salvação revelada na tua Palavra.
C: Atende a nossa petição.
O: Confiando na tua eterna e inescrutável sabedoria, entregamos a nossa vida aos teus cuidados, como tu mesmo nos ensinas: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Assim o fazemos em nome e por amor de Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor e salvador.
C: Amém.