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quinta-feira, 12 de março de 2015

Mensagem 3º dom. na Quaresma B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 19; Êx 20.1-17; 1Co 1.18-31; Jo 2.13-22 – 3º dom. na Quaresma B 2015
Jesus purifica nossa vida
v. 15-16: “Então ele fez um chicote de cordas e expulsou toda aquela gente dali e também as ovelhas e os bois. Virou as mesas dos que trocavam dinheiro, e as moedas se espalharam pelo chão. E disse aos que vendiam pombas: – Tirem tudo isto daqui! Parem de fazer da casa do meu Pai um mercado!”
O amor de Jesus pelos seus discípulos é algo que nos deixa impressionados. Quantas vezes nós já vimos a paciência, o cuidado, a preocupação que Jesus tinha com eles? E não só com os discípulos. Também naquela situação em que Jesus subiu num barco e foi para outro lugar para ficar um pouco sozinho, mas quando ia chegando do outro lado viu a mesma multidão o esperando. E Marcos escreve que Jesus viu aquelas pessoas como ovelhas sem pastor, se compadeceu delas e, mesmo querendo ficar sozinho, colocou as necessidades da multidão em primeiro lugar.
No entanto, o texto de hoje nos apresenta um Jesus diferente. Um Jesus que toma um chicote na mão, sai derrubando tudo e expulsando as pessoas – da onde, ainda por cima? – do templo! Alguém até poderia pensar que esse não é o Jesus que a gente conhece. Mas se tem uma coisa que nós precisamos aprender (se é que já não aprendemos) é que Jesus não traz só o amor e a graça de Deus, ele também traz o juízo e a ira de Deus.
Nesse caso, os motivos da ira de Jesus nos saltam aos olhos. Não é preciso ler nem duas vezes o texto para entender essa atitude de Jesus. O templo, que veio a substituir o tabernáculo, tinha o objetivo de ser um lugar de culto e adoração. E não uma casa de câmbio e venda de mercadorias.
Com essas atitudes eles estavam profanando a Casa de Deus. Num lugar onde deveria ter o máximo de silêncio e o mínimo de movimentação para que os fieis pudessem render culto, se encontrava aquela bagunça de um mercado público. A gente até pode imaginar um reclamando que a moeda estava gasta, outro que o preço das ovelhas era muito alto, alguém gritando para fazer propaganda do seu produto. Transformando o lugar mais próprio para culto no lugar mais impróprio para culto.
Nós sabemos muito bem que igreja não é lugar de bagunça. Tanto é que às vezes a gente até ouve um pai ou uma mãe dizendo para o filho “não corre na igreja”. Porque se trata da Casa de Deus. É lugar de respeito e reverência.
A Bíblia nos dá, entre outras, duas orientações impactantes com respeito à igreja e, mais especificamente, ao culto. A primeira vem do próprio Salomão, que construiu o primeiro templo. Ele diz que quando você for ao templo vá pronto para ouvir e obedecer a Deus. E a segunda do apóstolo Paulo que recomenda que tudo seja feito com ordem e decência.
Alguns vão usar esse texto de João para dizer que na igreja não pode ter bazar, que as Servas não podem fazer cucas, mas não é nada disso. Essas coisas, em si, (claro, sempre feitas de forma pensada e com bom senso), não têm nada de mau desde que não atrapalhem ou interfiram no culto de Deus e na adoração do seu povo. Por exemplo, no momento em que o dinheiro das cucas for usado como substituto às ofertas do povo de Deus, aí a fábrica vai ter de fechar as portas. Até lá, Jesus não vai fazer nenhum chicote.
O problema naquela situação, como já falamos, é que aquela algazarra no templo de Jerusalém tornava impossível um culto sincero e verdadeiro que agradasse a Deus. Para não falarmos muito sobre isso, porque o texto traz vários detalhes, vamos só falar um pouco sobre os animais que estavam sendo vendidos ali para sacrifício.
Como muitos judeus vinham de muito longe para celebrar as festas do seu povo no templo de Jerusalém, tinham de levar seu animal para sacrifício por todo o percurso. Com a venda dos animais no pátio do templo, a coisa ficava muito mais prática. Só que ao mesmo tempo fazia perder todo o sentido da oferta.
A oferta agradável a Deus é aquela que Deus dá através do trabalho e que é oferecida pelo fiel com gratidão no coração e o reconhecimento sincero de que aquilo veio de Deus. A oferta só faz sentido quando a levamos de casa, daquilo que veio do suor do rosto, e não uma coisa que a gente compra lá no templo e deixa por lá mesmo. Aí, claro, Jesus precisa tomar uma atitude.
E aqui, se olharmos para Jesus apenas como um homem temente a Deus, nós não vamos ver mais do que a sua indignação. Mas se olharmos para ele como o que ele é, o próprio Deus, então nós vamos ver ali a ira de Deus. E o que atrai a ira de Deus é a irreverência no culto e na adoração.
Hoje nós lemos os Dez Mandamentos, onde Deus nos dá as coordenadas para que a nossa vida seja feliz e também agradável a ele. E num desses mandamentos Deus pede que nós santifiquemos o dia do descanso. Naturalmente, sendo o dia do descanso, Deus espera que nós o santifiquemos com culto e adoração.
É claro que o fato de ir à igreja não santifica nada e não serve para nada. O importante é o que acontece na igreja e como nós aproveitamos e nos portamos no culto. Imaginem uma pessoa que não se prepara para o culto, não faz nem mesmo uma oração antes do culto. Não presta a atenção em muitas coisas. Não participa efetivamente do culto. Está na igreja só com o corpo, porque a mente e o espírito estão longe. Que utilidade pode ter o culto para alguém assim?
Isso é santificar o dia do descanso? Isso é valorizar a Palavra de Deus e a Santa Ceia? A única coisa que alguém pode conseguir assim é fazer abaixar o ponteiro do combustível. E o que é pior, não só o tanque do carro esvazia, mas a própria pessoa volta para casa vazia.
Também sobre a Santa Ceia Paulo escreveu sobre a importância de estar dignamente preparado. Porque se uma pessoa não tem nem mesmo a intenção de usar do perdão recebido para corrigir os seus pecados participa da Santa Ceia não para salvação, mas para condenação. Em vez de receber a Santa Ceia para benefício, acaba se tornando réu do corpo e do sangue de Cristo.
Por que não sentar quando faltam 5 minutos para o início do culto e fazer uma oração pedindo pelo menos isso: Bondoso Deus, perdoa os meus pecados para que, de coração limpo, eu possa render culto e participar da Santa Ceia de consciência tranquila. Dá-me sabedoria e concentração para entender a tua Palavra a fim de que eu possa coloca-la em prática no meu dia-a-dia. – É difícil?
Isso nos faz deixar para lá a algazarra e a bagunça da nossa vida, dos nossos problemas, das contas que ainda não foram pagas, das provas que vem pela frente; da fechada no trânsito, dos problemas no trabalho. Porque é só assim, deixando o mundo lá de fora lá fora, que nós vamos poder aproveitar essa oportunidade tão gostosa que Deus nos dá a cada domingo de podermos celebrar e antecipar um pouquinho da salvação que nos aguarda na eternidade.
Em tudo isso, só temos motivos para dar graças a Deus porque Jesus não purificou só o templo, mas também a nossa vida por meio da sua morte e ressurreição. Assim como ele virou as mesas dos cambistas, assim também Jesus virou a mesa da nossa relação com Deus. Se antes, pelo nosso pecado, estávamos sob a ira de Deus, agora, pela fé em Jesus, estamos sob a graça de Deus.
E, como se isso ainda não fosse o suficiente, Deus ainda age em nós pelo seu Espírito Santo e ele mesmo faz de toda a nossa vida um culto de gratidão a Deus por tudo o que ele fez e faz por nós e ainda vai fazer.
Com a morte e a ressurreição de Jesus, agora existe um novo santuário. Não é preciso ir até Jerusalém para estar na presença de Deus e oferecer sacrifícios. Jesus é o santuário onde, pela fé, nós estamos sempre na presença e na companhia de Deus e Deus, por meio de Cristo, enxerga toda a nossa vida como um sacrifício que lhe é agradável.
Não é preciso ir à Jerusalém porque Jerusalém já veio até nós, no sentido de que em qualquer lugar onde o Evangelho é anunciado em sua pureza e clareza os cristãos podem se reunir para relembrar a morte e ressurreição de Jesus em nosso favor, e em resposta adorarmos a Deus atentando à sua Palavra, no cantar dos hinos, nas ofertas e nas orações.
Com tudo isso que Deus fez e faz por nós, só pode haver um resultado: Os que ainda assim continuarem nos seus pecados, irreverentes na presença de Deus, vão ter em Jesus um juiz. E pelo texto de hoje já dá para ter uma ideia de como é ter Jesus como juiz.
Mas aqueles que foram tocados pela ação do Espírito Santo, crendo em Jesus e tendo o desejo de viver essa fé, vão ter em Jesus aquele mesmo amigo amoroso que os apóstolos e aquela multidão tiveram: O Jesus companheiro, que nos coloca sempre em primeiro lugar na sua agenda. O Jesus salvador que nos guia em meio às dificuldades deste mundo para o culto sem fim na presença gloriosa de Deus. A gente só fica com uma pulga atrás da orelha: se o culto aqui já é bom, imaginem no céu. Amém.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Mensagem 2º dom. na Quaresma B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 22.23-31; Gn 17.1-7,15-16; Rm 5.1-11; Mc 8.27-38 – 2º dom. na Quaresma B 2015
Nós cremos na salvação que vem da cruz
v. 34: “Então, convocando a multidão e juntamente os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.
É muito comum a gente ouvir por aí aquela expressão que diz: “tenha fé!”. E que normalmente vem acompanhada com alguma frase. “Tenha fé que tudo vai dar certo”; “tenha fé que você vai conseguir”. Ou mesmo em alguns contextos religiosos a gente ouve algo como “você não ganhou um aumento porque não teve fé”. Mas será que esse é o tipo de fé que a Bíblia nos apresenta? No que você crê? Qual é o objeto da sua fé (para onde ela se direciona)? Que diferença isso faz na sua vida? O texto do evangelho de hoje é que vai nos dar as respostas.
Mas antes da gente entrar no texto do evangelho, como vocês já sabem, as leituras escolhidas para cada domingo sempre procuram ter uma relação entre elas. Um certo ponto, um assunto em comum. E as leituras de hoje não são exceção.
Aliás, aproveitando o assunto das leituras, vale a pena lembrar que essa é uma das razões porque é importante a gente ler o texto e não só ouvir o leitor. Porque quando a gente olha só para a Bíblia, a gente se concentra e também entende melhor o texto. Agora, quando a gente fica olhando para o nada, é muito fácil perder a concentração. E aí quando a gente vai embora, mal lembra qual foi o assunto do culto.
Bem, dado o conselho, podemos voltar aos textos e procurar o assunto central deles. Primeiro o salmo: O Sl 22 pinta um quadro nosso no qual somos encontramos como pobres e oprimidos espiritualmente. No entanto, pobres e oprimidos que louvam porque Deus nos livra dessa pobreza espiritual.
Assim também em Gênesis lemos que a aliança de Deus com Abraão não dependeu em nada de Abraão, mas completamente de Deus. Romanos diz o mesmo, só que em linguagem do Novo Testamento: Deus nos deu a fé para que pudéssemos crer que pela morte de Jesus nós temos vida eterna.
Percebemos claramente que o ponto aqui é a predisposição de Deus em nos salvar. Deus é quem dá o primeiro passo em nossa direção e também é ele que, depois de nos dar a fé, também nos sustenta nessa fé. Não há nada que possamos fazer pela nossa salvação. É graça de Deus.
Mas o que o evangelho diz sobre isso? Jesus falou da morte, falou da cruz, falou da vida, mas nada sobre fé.
Lembremos que o texto começa com a famosa de confissão de Pedro. Jesus ia com os discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe e, no caminho, ele pergunta: Quem o povo diz que eu sou? E os discípulos respondem de acordo: João Batista, Elias, um dos profetas.
E imediatamente Jesus faz a mesma pergunta para eles: E vós, quem dizeis que eu sou? E Pedro responde: Tu és o Cristo.
A diferença nas respostas é muito maior do que parece à primeira vista. Enquanto o povo tenta dar nomes para Jesus, pensando até mesmo que um profeta pudesse ter voltado para finalmente estabelecer um reinado de paz e justiça, conforme era a esperança do povo judeu, Pedro dá um título para Jesus.
Ele não diz: - Ah, que pergunta! Tu és Jesus! Ele diz: Tu és o Cristo, o Messias. Em outras palavras, aquele que Deus prometeu enviar para salvar o seu povo. Como é que Pedro poderia saber isso se Jesus ainda não tinha dito? Mais uma vez nós podemos ver que é só pela ação do próprio Deus que nós podemos crer e confessar que Jesus é o Cristo.
Conforme o evangelho de Mateus, Jesus foi até mais longe quando disse: Bem-aventurado és, Pedro, porque não foi carne e sangue que te revelaram isso, isso não veio de ti, mas o Pai que está nos céus é quem te revelou.
Isso mostra que só entende a obra de Jesus aquele que nele crê. E a partir da confissão de Pedro, Jesus começa a falar sobre a verdadeira obra do Messias. Nós vimos há pouco que os judeus tinham uma visão errada sobre a realeza e o reinado do Messias. E essa era a expectativa dos discípulos também – de alguém que se assentaria num trono para governar o seu povo. No entanto, Jesus se apresenta como um Deus que morre numa cruz.
O que Jesus quer ensinar aos discípulos e a todos nós é que não é possível entender o verdadeiro messianismo, ou seja, a obra do Messias, sem o seu sofrimento, morte e ressurreição. Há um caminho para conquistar a salvação ao mundo. E a cruz, inevitavelmente, faz parte desse caminho.
É por isso que, mais adiante, Jesus vai dizer que quem quiser ser seu discípulo, que não procure um discipulado fácil, acomodado, onde eu vou no culto domingo e, pronto, já fiz a minha parte. Mas que tome a sua cruz e siga a Jesus todos os dias, venha o que viver.
É por isso que o diabo parece tão bonzinho às vezes. Quantas vezes ele tentou desviar Jesus do caminho da cruz. Falamos semana passada que Jesus foi tentado até por seus discípulos, este é o texto. Pedro, não falando só por ele, mas representando o grupo, reprova a Jesus: Não faz uma coisa dessas; não vai para a cruz.
Então nós percebemos que além do diabo colocar tentações na nossa vida, nós mesmos já temos uma tendência natural de escolher o caminho mais fácil, mais agradável. Quantas vezes já inventamos desculpas para não fazer a vontade de Deus? – Ah, é por causa disso ou por causa daquilo. Mas a verdade é que nós naturalmente fugimos da cruz.
Por nós mesmos, como disse Jesus, não conseguimos cogitar das coisas de Deus, só das coisas dos homens. Não conseguimos enxergar que a salvação vem pela morte do Filho de Deus. Automaticamente isso implica que no nosso viver cristão também haverá cruzes. Também haverá dificuldades.
Por isso Jesus agora convoca as multidões. A sua mensagem é para crentes e descrentes. Para todos aqueles que pensam em ser discípulos de Jesus. E ele diz: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, toma a sua cruz e siga-me”.
Negar a si mesmo nada mais é do que negar a nossa tendência natural de alcançar a salvação por nossos próprios méritos. É saber que não é fazendo uma boa ação aqui e outra ali que nós vamos para o céu, mas que a salvação é um presente de Deus que ele nos dá pela fé no Cristo crucificado.
Só que, enquanto estamos no mundo, estamos sempre sujeitos a cair desta fé, a buscar outros caminhos de salvação, a fugir da cruz e, assim, até mesmo de perder a salvação. Por isso é preciso também tomar a cruz. Encarar as dificuldades de viver a fé cristã no mundo (tentações, perseguições) e, então, seguir Jesus e confessar que ele é o Cristo.
Essa é a fé que a Bíblia nos apresenta. Não é uma simples espécie de pensamento positivo, onde tudo vai bem desde que se tenha fé. Também não é confiar que Deus vai nos abençoar com prosperidade nesta vida. Isso até pode acontecer, conforme a vontade de Deus.
Mas fé verdadeira é saber que Deus nos amou tanto que enviou o seu Filho justo e santo para morrer por nós pecadores. É ter a plena certeza de que se podemos enfrentar as tantas cruzes da vida é porque Deus não nos abandona nunca. Jesus não carregou só a sua cruz, mas a nossa também. Ter essa fé é dizer junto com o apóstolo Paulo: Se temos de enfrentar muitas tribulações, então enfrentemos; porque em meio a tantas tribulações, o que realmente importa é entrar no reino de Deus.
Essa é a fé que Deus nos deu. Tudo aquilo que pode nos afastar dessa fé precisa ser descartado. E devemos louvar a Deus em gratidão e orar para que ele não permita, de forma alguma, que deixemos de crer e confessar que Jesus é o Cristo.
No que nós cremos? – Que a salvação vem pela fé em Jesus. Qual é o objeto da nossa fé? – A cruz de Cristo. Que diferença isso faz na nossa vida? – Agora podemos servir a Deus e viver certos da vida eterna. Amém.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Mensagem 1º dom. na Quaresma B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 25.1-10; Gn 22.1-18; Tg 1.12-18; Mc 1.9-15 – 1º dom. na Quaresma B 2015
Deus nos chama ao arrependimento e fé
v. 15: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho”.
Sem dúvida um dos piores sentimentos que alguém possa sentir é a dor de não ser perdoado. Você já passou por isso? Já fez algum mal, depois se arrependeu, pediu desculpas, mas a outra pessoa não quis perdoar? Algumas vezes, dependendo da situação, o perdão pode demorar um pouco, mas vem. O problema é quando temos de conviver com aquele sentimento de culpa como se para aquilo que fizemos não tivesse perdão.
Há alguns dias nós refletimos sobre o batismo de Jesus – o mesmo texto que lemos hoje, com a diferença de que só fomos até o versículo 11. Ali lembramos que o batismo de Jesus marcou o início do seu ministério. Foi quando ele tomou sobre si os nossos pecados e deu início a uma caminhada que só terminaria na cruz, conquistando, assim, o perdão de Deus para os nossos pecados.
Naquele episódio, conforme o relato de Marcos, os céus se rasgaram, o Espírito Santo desceu sobre Jesus, e ouviu-se a voz de Deus que dizia: “Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”.
É a maneira de Deus dizer que, na obra de Jesus por nós, Deus assina embaixo. “Em ti me comprazo”. É como se o Pai estivesse dizendo: Meu Filho, eu aprovo o que Tu estás a fazer. É algo que me dá muita alegria.
Então, tendo Deus aprovado o ministério que Jesus estava iniciando, imediatamente o guiou para o deserto onde foi tentado por Satanás. Nenhum dos três Evangelhos que relatam a tentação de Jesus deixa dúvida de que Jesus ser tentado pelo diabo fazia parte do plano de Deus.
E assim como Jesus foi tentado, nós também o somos. E, por mais que queiramos fazer a vontade de Deus, se olharmos com sinceridade, honestidade e humildade para a nossa vida, vamos perceber o quanto nós quebramos os mandamentos de Deus. Pecamos contra Deus, pecamos contra o nosso próximo, pecamos até contra nós mesmos.
Se Deus esperasse de nós uma vida santificada a tal ponto de merecermos a salvação, simplesmente estaríamos todos perdidos. Romanos é muito claro: Todos pecaram e carecem da glória de Deus.
A boa notícia é que Jesus foi tentado por causa das nossas tentações. Com a gritante diferença de que onde nós caímos, ele venceu, e venceu por nós.
Percebamos que Marcos, nesse texto, se refere ao diabo como Satanás. Lembrando justamente o que o diabo é: um adversário. O diabo é inimigo de Jesus. E se é inimigo de Jesus, também é inimigo do cristão, porque o cristão é um só com Jesus. Ele tentou Jesus procurando, com isso, acabar com a obra da salvação. Como não conseguiu, agora procura, com suas tantas tentações, pelo menos desviar alguns cristãos do caminho da salvação. E muitas vezes consegue.
Marcos diz ainda que Jesus “estava com as feras” quando foi tentado. O que são essas feras? Literalmente, são animais que nós também chamamos de feras: animais selvagens. É bem possível que num deserto como onde ele estava houvessem animais desse tipo.
Só que mais do que isso, em sentido figurado, a palavra era usada para falar de algum tipo de monstro. E nada impede que Marcos quisesse que seus leitores vissem aqui os dois sentidos da palavra. Nós não temos como responder a essa questão. A única coisa que podemos dizer com certeza é que Jesus foi tentado da forma mais difícil e cruel possível.
Nós somos tentados durante uma semana depois de termos recebido a Santa Ceia – e ainda assim pecamos. Jesus foi tentado num deserto, sem nada, com fome, sede, sozinho, sob o perigo de animais selvagens. Foi também tentado por seus próprios discípulos a abandonar o caminho da cruz. Foi tentado pelos fariseus. Foi tentado pelo seu sofrimento no Getsêmani. Foi desamparado pelo Pai no momento mais decisivo da sua missão. E não tem nada disso que ele não tenha feito por amor a nós.
É da tentação de Jesus que vem a certeza de que os nossos pecados foram perdoados pelo Pai. Se podemos viver – e, de fato, vivemos – sem duvidar do perdão de Deus é porque Jesus venceu o pecado por nós. Onde nós caímos, Jesus se manteve firme para nos colocar de pé.
Porém o texto também diz que os anjos serviam Jesus. Esse “serviço” pode acontecer de várias maneiras. E uma delas é com o cuidado. Jesus foi tentado de uma maneira inimaginável. Mas, em cada momento, ele podia contar com o cuidado de Deus.
Assim também na nossa vida, nas nossas tentações, no nosso sofrimento, nós não podemos duvidar de que Deus cuida de nós. Deus inverte a ordem dos papeis e vem para nos servir. Ele envia seus anjos para nos proteger. Para nos ajudar nas tentações e também nas provações. Nós não temos forças para lutar contra elas. Mas é ali que a força divina se manifesta a todos nós.
Na sequência, Marcos diz que, quando Jesus voltou para a Galileia – isso já depois de João Batista ter sido preso – anunciava o evangelho de Deus dizendo: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo”.
Esse “anúncio” ou “pregação”, como aparece no texto, normalmente aparece no Novo Testamento relacionada a uma ação salvadora de Deus. O evangelho que Jesus anuncia é “de Deus” porque é dele que vem a salvação. Ele traz salvação ao mundo quando envia o seu próprio Filho para morrer pelo mundo.
O evangelho, a ação salvadora de Deus que é anunciada por todo cristão é aquela de João, que a gente sabe até de cor: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3.16)
Deus poupou o filho de Abraão, um homem pecador como a gente, porém não poupou o seu próprio Filho. Essa foi a maneira que Deus escolheu para mostrar como é grande o seu amor por nós. Essa é a mensagem que precisa tocar o nosso coração. Como lemos no Sl 25, o desejo do cristão é fazer a vontade de Deus; mas Tiago lembra que só vence a provação aquele que está unido com Cristo pela fé.
Por isso a nossa vida acaba por ser um reflexo da nossa união com Cristo. Se existe luta contra o pecado e confiança no perdão de Deus, isso não quer dizer que nós cremos, mas apesar disso somos tentados. Se existem as tentações é justamente porque estamos unidos com Cristo e já temos a salvação.
O diabo não se preocupa tanto com aqueles que já são dele. Com aqueles que não creem, que não se arrependem, que vivem em pecado, que zombam de Deus e riem dos seus mandamentos. Ele está preocupado é em derrubar aqueles que estão de pé, aqueles por quem Jesus venceu.
Por fim, temos a mensagem conclusiva de Jesus: “Arrependei-vos e crede no evangelho”. Ou, para nós que já cremos: Continuem a se arrepender para que possam continuar crendo.
Um dos significados de “arrepender-se” é o que nós costumamos chamar de contrição: Sentir remorso pelo pecado cometido. É claro que, pela certeza do perdão de Deus, Jesus não quer que vivamos angustiados e tristes por causa dos pecados que cometemos. Mas reconhecer os pecados e perceber que, com eles, nós ofendemos o amor de Deus, isso é necessário.
Os de coração duro não sentem pesar pelos seus pecados ou nem mesmo enxergam que cometem pecados. Esses não se arrependem e não podem crer verdadeiramente em Jesus. Afinal, quem precisa de médico é o doente. Esse busca pelo médico porque sabe que está doente e não pode se curar sozinho.
É assim que o cristão fiel busca a Cristo porque sabe que é pecador, mas ao mesmo tempo confia que Jesus pode e quer perdoar os nossos pecados e nos dar a chance de recomeçar a vida cristã. Uma vida formada de constante arrependimento e confiança no perdão de Deus.
Só quem realmente enxerga a gravidade dos seus pecados (não só reconhece que é pecador) vai crer no Evangelho. Ou seja, vai crer em Jesus e entregar-se a ele como seu Salvador. E, assim, buscar nele o perdão e a salvação.
A vitória de Jesus sobre o pecado nos dá a certeza de que os nossos pecados foram perdoados por Deus. Por isso é natural que o cristão sinta tristeza pelos seus pecados e queira mudar de vida. Mesmo assim, nenhum cristão precisa conviver com o peso e a dor da culpa porque, em Jesus, nós já fomos perdoados.
Mesmo que muitos, no seu egoísmo e orgulho, se recusem a perdoar, se nos encontramos arrependidos, temos garantido o perdão mais importante de todos: o perdão de Deus. O perdão que nos dá a chance de recomeçar. Por esse perdão, nós podemos alegremente dedicar nossa vida ao Senhor e viver na plena certeza da vida eterna. Amém.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Mensagem 3º dom. após Epifania B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 62; Jn 3.1-5,10; 1Co 7.29-35; Mc 1.14-20 – 3º dom. após Epifania B 2015
A nossa vocação
v. 17: “Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”.
Qual é a sua vocação? Entre os assuntos que a humanidade mais gosta de abordar, talvez a vocação seja um deles, especialmente no âmbito acadêmico. Várias universidades até fornecem cursos ou, pelo menos, algumas aulas visando ajudar o futuro aluno a descobrir a sua vocação.
A partir daí nós já podemos perceber que muitos relacionam vocação com trabalho. Vocação é trabalhar no que se gosta. Já outros são indiferentes a essa questão. Para esse grupo, a tal da vocação é coisa que não faz nenhum sentido.
O que a Bíblia diz sobre isso? Será que o texto de hoje pode nos ensinar alguma coisa a respeito da vocação?
Independente do que cada um de nós entende por isso, para entendermos o que a Bíblia diz sobre vocação precisamos primeiro recapitular alguns fatos. A Bíblia deixa claro que, por nós mesmos, não temos a mínima capacidade de ir a Deus e de servi-lo. “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”.
Deus, por meio da sua Palavra e dos santos sacramentos, muda essa realidade quando vem a nós e nos dá a fé e agora renova diariamente a nossa vida pelo seu perdão e pela ação contínua do seu Espírito Santo. E essa renovação acontece de tal maneira que já não vivemos mais para o pecado ou para nós mesmos, mas para Deus.
Portanto, de acordo com a Palavra de Deus, vocação é isso: Viver uma vida agradável a Deus. A vocação do cristão, independente da sua idade, personalidade, grau acadêmico, profissão, situação financeira, classe social, enfim, em detrimento de todas essas coisas, é essa: Crer em Jesus, seguir o seu exemplo e os seus ensinamentos.
Evidentemente que nós, que nascemos pecadores, não nascemos prontos para exercer uma vocação tão sublime como essa. Somos chamados a viver essa vocação no nosso batismo. No entanto, o batismo é só o começo de um processo que dura a vida toda. O milagre que Deus faz no batismo é o de nos trazer para dentro da sua Igreja. Não é um milagre que nos deixa completamente preparados para exercer um discipulado perfeito.
Não é à toa que Jesus diz que para fazer de alguém seu discípulo é preciso batizar e ensinar. E foi o que ele fez com aqueles que chamou. Foram três anos de aulas teóricas e práticas. E com certeza se Jesus tivesse ficado mais com eles teria continuado ensinando. E os discípulos, com certeza, depois continuaram aprendendo pelo estudo das Escrituras e pelas experiências do dia-a-dia.
E com a gente não tem por que ser diferente. Se ainda estamos vivos, isso significa que ainda estamos nesse processo de aprendizado e aperfeiçoamento. Aprendizado porque o próprio Jesus nos recomendou estudar as Escrituras; e aperfeiçoamento porque de nada adianta conhecer a vontade de Deus se não a colocarmos em prática.
De nada adianta saber que Deus espera que nós nos amemos uns aos outros e nem mesmo orarmos uns pelos outros. No entanto, isso tudo faz parte de um processo que é o que nós chamamos “santificação”. Ninguém é santo e nem vai ser. Mas, como disse o apóstolo Paulo, se estou caminhando rumo à perfeição e santidade dos céus, nada mais correto do que me esforçar por uma vida santificada. Um viver de acordo com a vontade do nosso Deus. E essa vontade nós só conhecemos pela sua Palavra.
Jesus ensinou a Palavra de Deus aos seus discípulos tanto falando como vivendo. E qual era o propósito de Jesus? Que os discípulos pudessem fazer o mesmo depois. Que eles também anunciassem a Palavra de Deus às pessoas tanto falando como vivendo.
Interessante que quando Jesus, no texto que nós lemos hoje, chama os irmãos André e Pedro, que eram pescadores, ele diz que faria deles “pescadores de homens”. Assim também, com certeza Jesus chamou o publicano Mateus não para coletar impostos das pessoas e esvaziar os seus bolsos, mas para coletar um pouco das suas angústias e aliviar o peso dos seus corações.
E hoje podemos dizer que Jesus continua fazendo o mesmo. Ele chama o empresário para administrar os negócios de Deus; chama o mecânico para consertar o relacionamento das pessoas com Deus; chama o médico para anunciar a cura do nosso pecado, que é o amor de Deus pela humanidade.
Quanta gente sente desejo de servir a Deus, mas se sente incapaz porque não tem isso ou aquilo, porque não tem esse dom, aquela habilidade? Deus não precisa de nós diferentes, mas exatamente da maneira como ele nos criou.
Será que tinha gente mais simples na Palestina do que aqueles pescadores? E Jesus, pelo ensino e pelo exemplo, fez deles o que eles vieram a ser.
Talvez dizer que Deus precisa de nós pode ser mal compreendido. Então, vamos dizer isso de outra forma: Deus quer nos usar como seus instrumentos para realizar a sua missão e as suas obras aqui no mundo.
Deus quer nos usar com o nosso andar esquisito, com o nosso sotaque, com as nossas limitações porque ele nos fez assim. É claro que quando percebemos que alguma coisa em nós pode estar atrapalhando o anúncio do Evangelho, vamos orar e tentar mudar isso.
E aí temos o grande consolo de Deus quando falamos em viver a nossa vocação: É Deus quem nos aperfeiçoa. Jonas também se sentia incapaz. Tentou fugir da sua responsabilidade. E hoje nós lemos que grande obra Deus realizou por meio dele, salvando uma cidade inteira.
Por isso não precisamos fugir daquilo que Deus espera de nós como se não tivéssemos capacidade para isso. De fato, nós não temos essa capacidade, mas a “nossa suficiência vem de Deus”.
Não precisamos esperar que um peixe nos engula e nos vomite diante do nosso dever. Aliás, é melhor não esperar. Podemos viver a nossa vocação de anunciar o Evangelho com firmeza e alegria porque Deus está com a gente. O que Deus disse a Josué ele também diz a nós: Não temas, porque eu estou contigo.
Por isso a nossa vocação é exercida quando abraçamos a causa de anunciar o Evangelho. E fazemos isso fazendo bem aquilo para o que fomos chamados. Aprendemos isso na Tábua dos deveres (no Catecismo). O que Deus espera de mim como pai ou mãe, filho ou filha, patrão ou empregado, pastor ou membro da congregação?
Ali vivemos nossa vocação. Ali fazemos o que Deus espera de nós. Sendo bons pais que se dedicam ao ensino e bom exemplo aos filhos. Sendo filhos que cumprem o quarto mandamento, honrando, amando e obedecendo aos pais. Sendo um patrão atencioso, um emprego honesto. De modo que, naquilo que fazemos, lá onde vivemos e convivemos, o amor de Deus seja refletido nas nossas palavras e ações.
Nenhum cristão precisa fazer um curso ou um teste vocacional para saber o que Deus espera dele. Se alguém perguntar “qual é a sua vocação”, nós podemos dizer sem medo de errar: Viver a vida que Deus me deu, com aquilo que ele me deu, do jeito que ele me fez para anunciar a sua Palavra em palavras e ações. E eu tenho plena certeza de que tudo isso vem de Deus que deseja a minha salvação e de todas as pessoas. Amém.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

ERPEDs 2015

Atenção Distrito Rio Aripuanã: Dos 10 ERPEDs que haverão este ano (2015), um será em Sorriso, nos dias 04 e 05 de julho.
Veja também nas postagens anteriores sobre os cursos de capacitação.
Prepare-se e aproveite!