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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Mensagem Batismo do Senhor B 2015

Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 29; Gn 1.1-5; Rm 6.1-11; Mc 1.4-11 – Batismo do Senhor B 2015
Jesus assume o nosso lugar
v. 9: “Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galileia e por João foi batizado no rio Jordão”.
Você já ficou surpreso com a presença de alguém em algum lugar? Aquela situação quando a gente olha e diz assim: Nossa, você por aqui! Garanto que todos já tiveram uma experiência como essa. Uma grande surpresa seria, por exemplo, uma fila de mendigos aguardando para receber uma refeição e no meio deles se encontrasse um milionário.
Algo muito semelhante é o que nós encontramos no começo do evangelho de Marcos: Uma multidão de pecadores aguardando para receber o batismo de João a fim de serem perdoados dos seus pecados. E no meio daquela multidão de mendigos aparece o milionário: Jesus. O próprio Filho de Deus, santo, sem pecado algum, sem nada do que se arrepender e ele chega até João e pede para ser batizado.
Nós até podemos imaginar a cena, mas, a princípio, pode ser que não entendamos. O que quer dizer essa atitude de Jesus? Se aquele era um batismo de arrependimento para perdão dos pecados – e era mesmo – por que Jesus fez questão de ser batizado? O que isso significa para nós?
No Antigo Testamento, como lei cerimonial, eram comuns os banhos os lavagens de purificação quando a pessoa se encontrava imunda por algum pecado ou alguma outra razão cerimonial.
Com João Batista, provavelmente, se dá início uma outra maneira de purificação: pelo batismo como nós o conhecemos hoje. Então, se antes era comum muitas lavagens purificadoras, agora, pelo batismo que Jesus ordenou, uma só lavagem é necessária. Tanto é que Paulo escreveu: Uma só fé, um só batismo.
Seja como for, tanto nas lavagens de purificação como no batismo de João, o propósito de Deus sempre foi o mesmo: Garantir às pessoas que os seus pecados foram lavados. Para que elas pudessem, na lembrança do seu batismo, renovar a confiança de que também o seu coração foi limpo pelo perdão de Deus. Como diz o salmista: Lava-me, e ficarei mais alvo que a neve.
Ok, isso tudo diz muito sobre o nosso batismo, mas não diz nada a respeito do batismo de Jesus. Afinal, como já sabemos, purificação espiritual e perdão de Deus é coisa que ele não precisava. Por que, então, Jesus foi batizado?
O batismo de Jesus marca o início do seu ministério. É quando ele oficialmente começa a divulgar a mensagem do reino de Deus e preparar discípulos para também anunciar esta mensagem. Portanto, esse também é o momento em que Jesus se coloca no nosso lugar para realizar a obra da salvação em nosso favor.
É ali que Jesus assume a nossa condição de pecadores. Ele faz isso quando toma sobre si os pecados da humanidade e os carrega sozinho até a cruz. Porque Jesus assumiu o nosso lugar, ele também sofreu a ira de Deus que nós merecemos por nenhuma outra razão senão esta: Para que a ira de Deus se desviasse de nós e nós, então, pudéssemos ser vistos e aceitos por Deus como seu povo santo e fiel.
Jesus não foi exatamente um milionário em meio a mendigos. Muito mais do que isso, ele tomou sobre si a nossa miséria e nos enriqueceu com a sua justiça e santidade. Enquanto aquelas pessoas recebiam perdão com o seu batismo, Jesus recebia pecados. É como se aquela água, usada para lavar os pecados da multidão fosse toda derramada de volta, mas não sobre as pessoas, e sim sobre Jesus.
A razão porque Jesus foi batizado de forma alguma era porque ele precisava de alguma coisa. Mas porque nós precisávamos de um salvador. Todo ser humano precisa de alguém que derrame sobre si os seus pecados e viva uma vida em perfeita santidade diante de Deus, pagando o seu pecado com o próprio sangue.
Nenhum ser humano é capaz de fazer isso, mas Jesus o fez por toda a humanidade. Por isso ninguém mais precisa seguir essa ou aquela lei, fazer isso ou aquilo, realizar esse ou aquele tipo de sacrifício para alcançar a salvação. Só há um sacrifício e obra que é aceito por Deus: a vida, obra, morte e ressurreição do seu Filho Jesus Cristo. E isso ele o fez não para si mesmo, mas por nós, em nosso lugar, a nosso favor.
Todo aquele que crê verdadeiramente nisso tem exatamente o que o batismo vem trazer: o perdão de Deus e a fé que leva para o céu. Esta não é uma simples fé em Deus, é não duvidar de modo algum que a obra de Cristo foi tão perfeita e completa que nada mais é necessário senão crer em Jesus como nosso único e suficiente salvador.
Tudo bem – alguém pode questionar – mas se agora não estamos mais debaixo da Lei e sim da graça de Deus, então não precisamos mais levar em conta os mandamentos de Deus? Pois é justamente o contrário!
O texto de Romanos que nós lemos hoje diz que, pelo batismo, nós morremos para o pecado e ressurgimos para uma nova vida em Cristo Jesus. E nessa nova vida que Deus nos dá no batismo o Espírito Santo trava uma guerra contra o pecado e nos move com todas as forças a fazer a vontade de Deus.
Por isso todo cristão se encontra nessa nova vida. E porque somos guiados pelo próprio Espírito Santo, cumprir os mandamentos de Deus e fazer a sua vontade não é um peso, não é ruim, mas um privilégio, uma alegria. Pelo batismo e pela fé incorporamos as palavras do Sl 119: Eu amo a Lei do Senhor, nela medito e me entristeço por aqueles que não a cumprem.
E é isso que nós chamamos “batismo na vida diária”. Ou seja, vivemos um diário e constante arrependimento, onde afogamos o velho homem, o pecado, aquilo que nos afasta de Deus, e tornamos a ressurgir, pelo perdão de Deus, um novo homem, alguém cujo prazer é fazer a vontade de Deus.
Assim como o batismo de Jesus marcou o início da sua caminhada, assim também, para a maioria de nós, o batismo marca o início da nossa caminhada. E assim como foi a jornada de Jesus, a nossa também não é fácil. A cada novo dia surgem velhas ou novas tentações que deixam o velho homem todo assanhado para sair nadando de novo.
São momentos onde não podemos fraquejar e deixar que o pecado da nossa natureza fale mais alto. Mas também não é hora de bancar o herói e tentar mostrar que somos fortes. Pelo contrário, é hora de dobrar os joelhos e pedir que novamente o Espírito Santo nos dê forças para enfrentar mais uma situação.
É hora de olhar para trás, para o batismo, e lembrar que lá fomos feitos filhos de Deus e, portanto, cabe a nós viver como filhos de Deus. E como disse Lutero, o batismo é um barco que nunca afunda. Nós, às vezes, pulamos fora desse barco. No entanto, quem continua dentro vai estar sempre seguro.
Que grande maravilha é olhar para o nosso batismo e poder enxergar ali, num ato tão simples, Deus agindo para garantir o perdão dos nossos pecados, uma nova vida pelo Espírito Santo e a certeza da vida eterna. Mais confortador ainda só pode ser olhar para o batismo de Jesus e lembrar que tudo o que era necessário para a nossa salvação, ele o fez por amor a nós.
Se temos que nos surpreender com o lugar onde alguém está, é com a gente mesmo. E dizer: Nossa, eu estou no reino de Deus! Não fiz nada para estar aqui, mas Jesus fez por mim tudo o que era necessário. No seu batismo, os céus se abriram e Deus o chamou de Filho amado. No nosso batismo, Deus também abre os céus para nos receber como seus filhos amados. E nessa fé batismal, um dia os céus também vão se abrir para que lá nós possamos entrar e estar com Jesus. Amém.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Encontros de Capacitação

IMPORTANTE: IELB realiza Encontros de Capacitação a partir de março.

Leia a respeito no site da IELB e prepare-se: http://www.ielb.org.br/noticias/?id=1950

Em Cuiabá, que há de receber os distritos Norte Mato-Grossense, Mato Grosso e Rio Aripuanã, os encontros marcados são os seguintes:
11-12/06/2016: Departamento de Expansão Missionária (DEM)/Depto. de Educação Cristã (DEC)
10-11/06/2017: Departamento de Ação Social (DAS)/Departamento de Comunicação (DC)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Mensagem Epifania do Senhor B 2015



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 72.1-15; Is 60.1-6; Ef 3.1-12; Mt 2.1-12 – Epifania do Senhor B 2015
Jesus é salvação para todos
v. 1-2: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém. E perguntavam: Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo”.
Sem dúvida, uma tentação aos pregadores nesse texto é falar sobre oferta aos seus ouvintes. Afinal, os magos não foram até Jesus de mãos vazias, mas levaram presentes. No entanto, apesar da oferta ser tão importante e necessária na Igreja, o texto de Mt 2 fala de algo mais importante ainda do que oferta. O texto fala de salvação.
Com certeza chamou a atenção a quem acompanhou as leituras de hoje que todas elas falam da universalidade da salvação. Em outras palavras, que a salvação é para todos. Sem exceção. E essa salvação só tem um lugar onde pode ser encontrada: em Jesus.
No Sl 72, a oração de Salomão pelo seu reinado está mais para uma oração pela vinda do reino de Deus – no Messias. Isaías apresenta o Messias como a glória da Igreja Cristã e diz que a ele muitos virão de todos os cantos do mundo. O apóstolo Paulo reforça mais uma vez em Efésios que é pela fé em Jesus que temos a salvação e que, nele, temos o privilégio de anunciar a salvação a outras pessoas. E Mateus dá um exemplo bem prático de tudo isso quando fala dos magos do oriente. Daqueles homens sábios que vieram de tão longe só para ver e estar com Jesus.
Para quem defende a salvação pelas obras humanas, os textos lidos não muito convidativos. Mas a salvação pela fé é a mensagem correta e principal da Palavra de Deus.
Desde o Antigo Testamento o povo de Deus é salvo pela fé. Em Gn 3.15, logo depois da queda de Adão e Eva em pecado, temos a primeira promessa divina sobre o salvador. Aquele que viria perdoar o pecado de Adão e também o nosso. E todo aquele que confiava nessa promessa já vivia na salvação.
Nós vivemos em uma época aonde o salvador já veio. Mas o meio pelo qual Deus nos dá a salvação continua o mesmo: Pela fé em Jesus.
Para nós, que conhecemos a Palavra de Deus e essa magnífica mensagem do Evangelho, em tudo isso não tem nenhuma novidade. No entanto, não podemos esquecer que muitos ainda não entenderam a mensagem do Evangelho, da salvação pela graça, mediante a fé.
Muitos ainda se consideram sábios como aqueles magos, só que pelo motivo errado: por causa daquilo que eles colocam diante de Jesus. Pensam que a vida eterna depende não apenas da obra do Messias, mas também em parte daquilo que nós podemos fazer. Refugiam-se no ouro, incenso e mirra das suas boas obras como se dali viesse a sua salvação.
Só que, por mais que essas pessoas creiam em Jesus como o Filho de Deus, o Messias prometido, caminham para a condenação. Não que a prática do bem e da vontade de Deus não faça parte da nossa vida cristã, claro que faz, mas se é nisso que depositamos a esperança da vida eterna, então estamos no caminho errado.
Lembremos que não foram os presentes dos magos que fizeram Jesus nascer, mas o nascimento de Jesus os motivou a levar presentes. Essa é a ordem da vida cristã: Primeiro Deus vem a nós em Jesus, trazendo perdão, vida e salvação. E a alegria de conhecer um Deus tão gracioso nos move a fazer alguma coisa.
E agora, a partir do presente da fé que Deus nos dá, nós queremos também presentear a Jesus, ofertando daquilo que ele nos deu em prol do reino de Deus. Seja o dinheiro, o conhecimento, os dons, e assim toda a nossa vida. E em tudo isso queremos, como primeiro objetivo, proclamar a Palavra, o perdão e o amor de Deus às pessoas.
Deus quer chamar pessoas à fé. Assim como ele tem feito desde sempre, muitas vezes mediante o exemplo e a fé do seu povo, ele quer e continua chamando pessoas à salvação pela fé. Sem acepção. Deus não faz distinção entre as pessoas. Ele chama desde os pobres pastores até os mais sábios astrólogos.
Isso é importante lembrar porque, às vezes, nós somos tentados a querer adivinhar quem vai crer e quem não vai. Então, diante de determinada pessoa, nós pensamos: Para este vale a pena anunciar o Evangelho, provavelmente ele vai crer. E diante de outra pessoa, pensamos: Para este nem adianta falar nada. Esse não tem mais jeito.
Como nós podemos ter tanta certeza? Quem converte os corações somos nós ou é o Espírito Santo? Assim como não cabe a nós definir quem vai ou não ser salvo, também não cabe a nós escolher a quem vamos testemunhar.
Porque neste último caso estaríamos sendo pessoas hipócritas, dissimuladas, que na frente de um ou de outro somos os mais santos da terra, mas na frente de outras pessoas podemos fazer ou falar qualquer coisa.
Não é assim. Quando Deus nos agracia com a fé no salvador, ele também faz de nós suas testemunhas. A partir de então, não podemos escolher entre testemunhar ou não testemunhar. Estamos sempre testemunhando! Por vezes é um bom testemunho e, por vezes, infelizmente, é um mau testemunho.
Há algum tempo, em um desses “outdoors” aqui de Juína, uma frase dizia mais ou menos o seguinte: “Dengue. Ou você é contra ou é a favor”. Ou seja, não tem meio termo. O simples fato de você não combater a dengue já ajuda para que ela se espalhe.
Assim é o nosso testemunho diário. Assim é a nossa vida cristã. Não podemos ser como “água morna”. Ou nos esforçamos por um bom testemunho, ou, naturalmente, estaremos dando um mau testemunho. Porque nisso o velho homem já é bem treinado.
Com certeza não é isso que nós queremos. De maneira alguma. Mas por causa do pecado que está em nós, precisamos frequentemente refletir: Tenho colocado o reino de Deus em primeiro lugar, como a base de toda a minha vida? A imagem que eu transmito às pessoas é de alguém feliz pela salvação? A maneira como eu trato as pessoas reflete o amor que Jesus tem por mim?
Porque se colocamos os nossos interesses em primeiro lugar, vivemos de cara emburrada e tratamos mal as pessoas, como podemos falar a elas de Jesus quando surgir a oportunidade?
O apóstolo João escreveu que o nosso amor não pode ser só de palavra, mas é preciso aparecer. E se esse amor, essa resposta a Deus, pode aparecer no nosso dia-a-dia, é porque o amor de Deus apareceu naquele menino que os magos foram visitar.
No infante Jesus se cumpriram todas as profecias do Antigo Testamento. A universalidade da salvação e do amor de Deus estava ali visível a todos. E é por causa daqueles que não puderam ver que Deus nos envia como arautos do Evangelho. Testemunhas da salvação.
O nosso ofertar nada mais é do que a maneira como demonstramos um pouquinho da nossa gratidão pelo menino Jesus que traz e dá a salvação. De graça. Sem pedir nada em troca.
Por isso Jesus é e sempre vai ser a razão do nosso viver, da nossa alegria. É nele que nós vamos sempre encontrar a orientação para esta vida e viver na certeza e na alegria do perdão da vida eterna. Amém.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Programa de Natal 2014

O Natal chegou mais cedo em Juína, MT. No dia 13 de dezembro de 2014, às 20:00, deu-se início a programação de Natal sob o título "Lições do presépio". Cada peça do presépio é importante. Cada qual tem seu peculiar significado. E de todos, Jesus foi, é e sempre será o personagem principal. Pois é no menino Jesus que encontramos a revelação do Deus Altíssimo. Aprecia algumas fotos do programa e leia também a mensagem natalina com base no texto de Jo 1 conforme segue.









quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mensagem Dia de Natal B 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 2; Is 52.7-10; Hb 1.1-12; Jo 1.1-18 – Dia de Natal B 2014
Deus habita com a gente
v. 14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.
Quem está do seu lado nos momentos de alegria? Quem está do seu lado nos momentos de dificuldade e sofrimento? Como é bom, independente das ocasiões, ter alguém do nosso lado. Não é verdade? Como é bom ter alguém que compartilha com a gente daquilo que nos alegra, daquilo que nos pesa, daquilo que nós planejamos e assim por diante.
Neste sentido, o Natal traz uma mensagem muito bonita porque lembra que o próprio Deus veio ao mundo para ficar com os seus filhos. E mesmo que ele não tenha ficado fisicamente, nós sabemos que o valor da sua obra para a nossa salvação tem valor eterno. E nós hoje, dois mil anos depois, ainda podemos viver felizes por esta certeza.
E o texto de João nos reforça mais uma vez isso de forma muito intensa. Em primeiro lugar, o texto começa lembrando que no princípio, quando ainda não havia universo, o Verbo já existia. E ele diz que esse Verbo ou essa Palavra estava com Deus e era Deus. E depois ele diz que tudo quanto hoje existe foi criado por meio desta Palavra.
É óbvio que esse Verbo só pode ser o próprio Jesus. Ele é a Palavra de Deus por meio de quem todas as coisas foram feitas. Portanto, a Palavra de Deus não é coisa que veio a existir só com a história da Igreja. Podemos dizer que o que Deus fez ao inspirar pessoas que escreveram a Bíblia foi deixar escrito para todo o mundo sobre a salvação que ele concretizou quando Jesus veio ao mundo.
Você lembrava que hoje, o segundo domingo de dezembro, é o dia da Bíblia? Que coincidência interessante! Justamente quando estamos falando do Verbo eterno ou da Palavra de Deus.
Que privilégio nós temos hoje de podermos nos encontrar com Jesus a cada vez que lemos a Bíblia. Porque a Palavra de Deus é o próprio Jesus. Por milhares de anos a Igreja Cristã não teve essa oportunidade. Nós temos. E precisamos aproveitar.
A Bíblia é o guia para todo o nosso viver. Em 2Timóteo nós lemos que “toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que [tem uma razão para tudo isso] o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.
O próprio Jesus, também em João, no capítulo 5, diz assim: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.
Como anda a nossa leitura bíblica? Será que temos aproveitado essa bênção de Deus que foi a tradução da Bíblia para o português? Há algumas décadas, alguém até poderia dizer: Como posso ler a Bíblia se ela não existe na minha própria língua? Mas hoje, graças a Deus, não há mais nada que nos impeça de estudarmos a sua Palavra. Especialmente no Brasil onde as perseguições à Igreja Cristã não chegaram nesse ponto.
Às vezes, nós é que criamos alguns empecilhos. Ah, mas eu não entendo algumas palavras. Bom, se isso é problema, hoje nós temos a Nova Tradução na Linguagem de Hoje – ou então, um dicionário também pode ajudar. Ah, mas a letra é muito pequena; não dá para ler direito. Já tem Bíblia até com letra gigante. Essa da letra pequena não justifica mais nada. Ah, mas, sei lá, parece que essa Bíblia não é para mim. Hoje nós temos a Bíblia do bebê, da criança, do adolescente, do jovem, da mulher e por aí vai. Até nisso a Sociedade Bíblica do Brasil tem pensado para que cada um pudesse ter uma Bíblia que é a sua cara e fazer a sua leitura diária.
Se Deus permitiu que hoje em dia nós tenhamos acesso à sua Palavra, provavelmente é porque tanto mais hoje em dia nós precisamos desta Palavra. Não deixemos que o inimigo, nos tentando com tantos atrativos da modernidade, nos faça deixar de lado o que Deus tem a nos dizer.
Muita gente diz que não tem tempo para ler a Bíblia. Mas ela todo o tempo do mundo para ficar na internet, para ficar de pernas para o ar sem fazer nada. Nada contra a tecnologia ou o lazer. Isso é importante e até necessário. Mas o cristão precisa usar isso com responsabilidade. O que significa também ter tempo para Deus.
Nós sabemos que muita gente realmente trabalha o dia todo e quando chegam em casa também tem coisa para fazer. É a família, os filhos, a casa. Mas quem não tem dez ou quinze minutos para fazer a sua leitura bíblica?
Como alguns têm dito por aí: A Bíblia é o único livro que você lê na companhia do autor. Porque ali Deus fala contigo. Ali Deus te ensina, consola, adverte, orienta e fortalece na fé e no amor. Por isso ler a Bíblia deveria ser coisa que está sempre na agenda do cristão.
E aí chegamos no ponto alto do texto de hoje: Essa Palavra de Deus, que existe desde toda a eternidade, que hoje nós temos por escrito, se tornou um ser humano e veio habitar entre nós. É o milagre do Natal: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.
Uma das coisas que mais chama a atenção aqui é o verbo habitar que tem o sentido de “armar uma tenda”. O que indica uma habitação temporária, não permanente. Isso retrata bem a obra de Jesus que veio ao mundo não para viver para sempre aqui, mas para que nós, que também estamos só de passagem, também possamos um dia estar com ele na glória.
As tendas também nos lembram a peregrinação do povo de Israel no deserto quando eles habitavam em tendas. E o mais interessante de tudo: No meio do povo sempre se encontrava o tabernáculo (que também é uma espécie de tenda) que era onde Deus habitava.
Deus sempre quis um lugar onde o seu povo pudesse ir se encontrar com ele. Um lugar onde o seu povo pudesse procura-lo quando estivessem tristes, felizes, arrependidos ou agradecidos. Por isso tinha o tabernáculo, depois o templo, depois as sinagogas e hoje as igrejas.
No entanto, Deus não é alguém que só espera pela nossa visita. Ele também vem até nós. Em Jesus, no primeiro Natal, Deus veio a nós para nos conquistar o perdão dos pecados e a vida eterna. E assim também Deus continua fazendo.
Na desgraça e no sofrimento, quando o medo toma conta e as forças vão embora, ali Deus arma a sua tenda. No luto, quando a dor parece insuportável e nada mais parece fazer sentido, Deus arma a sua tenda. Na doença, quando somos deparados com a fragilidade humana, Deus arma a sua tenda.
Deus não vem a nós só nas alegrias, quando queremos compartilhar com ele aquilo que nos anima e encoraja. Mas também nas nossas dificuldades, quando queremos e precisamos de alguém que saiba o que estamos enfrentando e esteja sempre do nosso lado para o que der e vier.
Na alegria ou na dificuldade, quem está do seu lado? Deus, em sua bondade, coloca pessoas ao nosso redor que nos amam e que cuidam de nós. No entanto, diz Deus, mesmo que todos vierem a te abandonar eu nunca jamais te abandonarei. Como também Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século”. E esta é a grande mensagem do Natal: Em Jesus e por Jesus, Deus habita com a gente. Amém.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Mensagem 2º dom. no Advento B 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Sl 85; Is 40.1-11; 2Pe 3.8-14; Mc 1.1-8 – 2º dom. no Advento B 2014
Arrependimento para perdão e salvação
v. 4: “Apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados”.
Natal chegando, começam os preparativos. Igrejas, estabelecimentos e casas são enfeitados. Todos querem curtir e se envolver nesse tempo natalino. Por mais que nem todos comemorem o Natal pela razão certa que é a vinda do salvador ao mundo, o Natal é, sem dúvida, uma das festas mais comemoradas e por isso toda essa preparação para o Natal que já começa pelo menos com um mês de antecedência.
A mensagem de João Batista também visava preparação. Mas que preparação era essa? Será que é uma mera preparação exterior, como montar um pinheirinho dentro de casa ou pendurar uma coroa de Advento na porta?
Sempre que aguardamos a chegada de alguém à nossa casa, procuramos deixar tudo preparado para receber aquela pessoa. Vemos se há alguma coisa jogada pela casa, se vamos ter algo para oferecer ao visitante como comida ou bebida. Se a pessoa vai dormir lá, também vemos se está tudo em ordem no quarto.
Assim o texto de Marcos nos convida a nos prepararmos para a chegada de Jesus. Precisamos ver se está tudo em ordem na casa da nossa vida e da nossa relação com Deus. E como acontece essa preparação, conforme João? Pelo arrependimento.
João Batista, em sua pregação no deserto, enfatiza muito o arrependimento para o perdão dos pecados. Ele deixa claro, com isso, que o perdão de Deus está aí disponível para todos, mas só recebem esse perdão aqueles que reconhecem os seus pecados e deles se arrependem.
Na verdade, não só a mensagem de João Batista, mas a mensagem bíblica quanto a isso é bastante clara. O próprio Jesus, em certa ocasião, diz assim: Eu não vim pelos bons, e sim pelos pecadores. Com isso ele quer dizer que existem pessoas boas e pessoas pecadoras. Sabemos muito bem que todos, sem exceção, são igualmente pecadores. Mas aqueles que não enxergam os seus pecados e por isso se acham bons não podem ser agraciados pelo perdão de Jesus. Já os pecadores, ou seja, os que reconhecem a sua vida pecaminosa e esperam seu perdão pela misericórdia de Deus, esses já receberam o seu perdão.
Hoje a gente percebe como tem muita gente que não leva a sério o arrependimento. Mesmo cristãos. Pensam que podem compensar o que fazem de errado fazendo coisas boas. Como se, com isso, não precisassem mais mudar as suas atitudes nem se arrepender dos seus pecados.
Nem é tão raro a gente ouvir por aí algo do tipo: “Domingo não deu para ir no culto, mas não vai ter problema porque eu não pequei tanto essa semana” ou então “eu não fiz nada tão grave assim, então eu sei que Deus está de bem comigo”.
Só que não é assim que a coisa funciona. Todo pecado, por menor que seja aos nossos olhos, é tão grave diante de Deus na sua santidade que, por um único pecado, nós já merecemos a condenação eterna. Por isso ninguém pense que é chantageando a Deus com boas obras que vamos ser perdoados, mas buscando nele, na sua misericórdia, que nos perdoe por causa do seu amor por nós.
Esses são aqueles por quem Jesus veio no primeiro Natal. Claro, como já foi dito, que Jesus veio ao mundo por amor a toda a humanidade. Mas só aqueles que confiam somente nele como seu salvador recebem o perdão dos seus pecados e a vida eterna.
Por isso João pregava o arrependimento e também batizava os que se encontravam arrependidos como uma forma de confirmar neles o perdão dos seus pecados. E agora, pelo nosso batismo, Deus convida também a nós a sermos uma voz que clama no deserto.
Neste mundo deserto de perdão, amor e compaixão, precisamos semear o evangelho de Jesus Cristo. A boa notícia da salvação. E não só numa pregação de boca ou de palavra porque isso não resolve muita coisa, mas um verdadeiro testemunho do amor de Deus com a nossa própria vida.
Com certeza, quando as pessoas viam ou ficavam sabendo que João pregava num lugar tão incomum, usando as mesmas roupas do profeta Elias (pelos de camelo e um cinto de couro) e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre, elas ficavam impressionadas ou, no mínimo, curiosas.
Tudo bem que tudo isso pode ter um significado. Até já falamos sobre isso há algum tempo. Mas, numa aplicação mais rápida e direta, poderíamos fazer a seguinte oração: Que assim como João estimulava a curiosidade nas pessoas pelo seu viver diferente, assim também possamos nós, com um viver cristão, dedicado ao reino de Deus, despertar a curiosidade daqueles com quem nos encontramos ou convivemos para que também tenhamos a oportunidade de falar da razão da nossa alegria e do nosso viver cristão: É porque, em Cristo, nós temos o perdão e a salvação.
Muitos são os que buscam essa paz, essa alegria, essa razão de viver. Mas ainda não encontraram porque ninguém lhes falou de Jesus. Por isso Deus, pelo batismo, pela sua Palavra, faz de nós suas testemunhas a anunciar no deserto desse mundo o evangelho da salvação.
Em nossos dias também é muito comum vermos pregadores que procuram chamar toda a atenção para si mesmos ou para a sua igreja. Muitos cristãos também vivem uma vida hipocritamente exemplar só para serem vistos e elogiados pelos outros.
Com João Batista aprendemos que não estamos aqui para anunciar a nós mesmos ou uma mensagem que venha de nós. Mas anunciamos somente a Cristo e a sua mensagem de salvação.
João chega a dizer que é não digno nem mesmo de fazer o trabalho de um escravo para Jesus como, por exemplo, desatar-lhe as sandálias. Essa humildade que vem do reconhecimento da nossa condição de pecadores é uma característica forte do cristão. Porque ali, com certeza, habita o Espírito Santo. E onde habita o Espírito Santo há sincero arrependimento, certeza do perdão dos pecados e da vida eterna e também o desejo de que mais pessoas conheçam a maravilhosa mensagem do Evangelho. É por isso que João disse: Eu batizo com água, mas Jesus vai batizar com o Espírito Santo.
Diante dessa responsabilidade e, ao mesmo tempo, privilégio que temos de anunciar o Evangelho, tanto mais se tornam importantes duas coisas: 1) O fortalecimento da nossa fé pelos meios da graça, Palavra e sacramentos, afinal nós não queremos cair da fé antes mesmo de anunciarmos o salvador a outras pessoas e; 2) Crescer no conhecimento da Palavra de Deus para que saibamos o que falar quando tivermos a chance.
A mensagem de João Batista não é de uma mera preparação externa. Mas de um verdadeiro arrependimento, pelo profundo reconhecimento da nossa natureza pecaminosa. E, assim, de maneira alguma buscarmos a salvação no lugar errado, ou seja, em nós mesmos, mas naquele que por amor a nós veio ao mundo, sofreu e morreu em nosso lugar para o perdão dos nossos pecados.
Natal chegando, começam os preparativos. Não tem nada de errado com a preparação externa (pinheirinho, coroa, luzes). Mas o mais importante é preparar o nosso coração para receber a Jesus todos os dias de todos os anos como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. Amém.