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sábado, 17 de maio de 2014

Mensagem 5º dom. de Páscoa A 2014



OBS: Para melhor aproveitamento da mensagem, é aconselhável a leitura do texto bíblico indicado. Neste caso, por exemplo, João 14.1-14.
Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Jo 14.1-14 – 5º dom. de Páscoa A 2014
Jesus é o caminho que leva ao céu
v. 6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Uma coisa é certa: Independente do caminho que você escolher, ele só vai te levar a um lugar. Nunca um mesmo caminho pode levar a dois lugares nem dois ou mais caminhos te levarem a um mesmo destino. O caminho de casa é um. O do mercado é outro. Tomar o caminho do mercado e esperar chegar em casa é simplesmente impossível.
A Bíblia fala várias vezes sobre caminho. Já no Antigo Testamento o profeta Isaías anunciava: “Preparai o caminho do Senhor”. E no Novo Testamento temos esta famosa afirmação de Jesus onde ele apresenta a si mesmo como o caminho.
Vale a pena notar o contexto em que se desenvolve essa conversa de Jesus com os discípulos. O clima não parece dos mais agradáveis. Jesus há pouco havia indicado Judas como traidor. Então ele dá um “novo mandamento” (que de novo não tem nada) para mostrar que a Lei de Deus só pode ser cumprida no amor. E que se eles quisessem mostrar que são seus discípulos, deveriam amar uns aos outros. Por fim, Pedro diz que daria a própria vida para estar com Jesus e Jesus responde dizendo que até o amanhecer Pedro o teria negado três vezes.
Com certeza, o coração dos discípulos estava, no mínimo, conturbado. Mas esse não é o tipo de sentimento que Jesus quer que tome conta dos corações daqueles que o seguem. Por isso Jesus diz: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”.
Assim também quando na nossa vida o clima é tenso. Quando o nosso coração está atribulado com preocupação, ansiedade, medo. Jesus continua dizendo: “Não se turbe o vosso coração”. E nos leva a confiarmos nele como aquele que pode e quer nos ajudar em qualquer situação.
E nesses momentos da vida, é normal que nos sintamos como quem anda sem rumo. Não sabemos exatamente o que fazer, para onde ir. E, junto com Tomé, acabamos perguntando: Senhor, “como saber o caminho”?
Jesus também responde a nós quando diz: “Eu sou o caminho”. E não só o caminho, mas também “a verdade, e a vida”. E “ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Logo de início é importante lembrar que em momento algum Jesus diz que existe um caminho. Não existe um caminho. Existe o caminho. E esse caminho é ele próprio.
O caminho não são os seus ensinamentos, não são as leis de Deus, não é o exemplo de vida que Jesus dá. O caminho é ele próprio. Assim como na semana passada ele se apresentou como a porta do aprisco, como aquele que dá acesso à Igreja de Deus, aqui ele se diz o caminho. O caminho que leva ao céu.
Quando Jesus diz isso fica claro que a única coisa determinante para a salvação é a fé em Jesus como nosso salvador. Não é pelo que nós fazemos ou deixamos de fazer, nem mesmo pelo tamanho ou força da nossa fé. O que importa é simplesmente a fé em Jesus como nosso Deus e salvador.
Claro que essa não é uma fé qualquer. Ou seja, seguir os ensinamentos de Jesus e o seu exemplo não prova que alguém será salvo. É preciso crer em Jesus como quem ele realmente é: o Deus-homem Jesus Cristo.
Vejam que o discípulo Filipe, que há tempo seguia Jesus e ouvia seus ensinos ainda seguia Jesus como um simples mestre. Nós podemos perceber isso a partir do que ele diz: “Senhor, mostra-nos o Pai”. E aí Jesus responde: Por acaso você não está me vendo? Quem vê a mim, vê o Pai. Porque o Pai e eu somos um.
Por isso é tão perigoso quando uma pessoa ouve um ou dois sermões, lê uma vez um dos evangelhos e acha que já conhece a Bíblia toda e que não precisa aprender mais nada.
Só existe um caminho que leva ao céu. E muito facilmente nós podemos nos desviar desse caminho. Por isso precisamos que Deus sempre de novo nos fortaleça com a sua palavra, nos mantendo firmes e leais no caminho que é Jesus.
Isso também tem a ver com o que Jesus vai dizer em seguida, que ele é a verdade. Embora tudo o que Jesus diz é verdade, não é dos seus ensinamentos que ele está falando. Mas dele próprio. “Eu sou... a verdade”.
Mas o que significa que Jesus é a verdade? Biblicamente, verdade tem a ver com revelação. E essa revelação é uma coisa tão clara, tão visível, tão inquestionável que mostra que nada mais pode ser a verdade.
Jesus é a revelação de Deus. A vinda de Jesus ao mundo mostra ao mundo todo a verdade de que Deus quer salvar a todos pela morte e ressurreição de Jesus. Qualquer outro caminho, mesmo que diga levar ao céu, é um caminho mentiroso.
Quantas pessoas procuram o caminho para o céu? Ou, talvez poderíamos dizer, criam seu próprio caminho para ser trilhado. Esmeram-se em fazer aquilo que pensam ser agradável a Deus e esperam que Deus as recompense com a vida eterna por causa dos seus esforços.
Mas não é preciso procurar ou inventar um caminho. Jesus, a verdade, a revelação de Deus, revelou que ele próprio é o caminho. O único caminho. E quem está unido com ele, pela fé, já pode desde agora ter a certeza da salvação.
Por fim, Jesus também diz que ele é a vida. Uma vida todos têm. Também os descrentes. Mas a vida, só tem aqueles que creem em Jesus como seu único salvador. Porque o dom da vida, que Deus concede a todos, tem um prazo de validade que acaba junto com este mundo. Já dom da vida, que Deus concede através de Cristo Jesus, essa dura para sempre.
E se a vida eterna começa com a fé em Jesus, então podemos confiar que Jesus está conosco já agora. E nos momentos em que o nosso coração se turba, podemos confiar que Deus está do nosso lado e que ele nos ajuda e fortalece em qualquer situação. E, assim, em meio a alegrias e dificuldades, Deus continua nos guiando pelo caminho que nos leva até ele, onde Jesus está preparando lugar para todos nós.
Querer chegar em algum lugar não é o suficiente para chegar lá. Não é possível seguir um caminho qualquer, de nossa preferência, e esperar chegar nas mansões celestes. Só há um caminho. E esse caminho é Jesus. Esse caminho nós não procuramos. Ele mesmo se revelou a nós quando nos trouxe a vida eterna.
O caminho que Isaías anunciou no Antigo Testamento. Para o qual João Batista preparou o nosso coração pregando o arrependimento. Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Não há outro caminho. Jesus foi, é e sempre será o caminho que leva ao céu. Amém.


A summary...
Jesus is the way who leads us to heaven
It is certain: A way can leads you only to an unique place. It is impossible you take the way to the supermarket and get home. Each way leads you to an unique place. To get there, you need to take the correct way.
Jesus show himself as the Way. The way is not his teachings, the Law or the moral examples of Jesus. The way is himself. So, we learn that the only important thing to salvation is the true faith in Jesus Crist as our unique savior. The God-man Jesus Crist.
How many people look for a way to heaven? Or create their own ways, doing what they think will please God. They hope God rewards them because of their efforts.
But it is not necessary to look for or create a way which leads to God’s mansions. The correct way has already showed itself to all the world. Jesus is the way. Through the faith, just now we can have assurance of salvation. And God is with us since now leading us in the correct way.
Jesus says: “I am the way, the truth, and the life: no man cometh unto the Father, but by me”. There is no other way. Jesus was, is and always will be the Way who leads us to heaven.

sábado, 10 de maio de 2014

Homenagem às mães









O 4º domingo de Páscoa é conhecido como o Domingo do Bom Pastor. Coincidentemente, neste ano, 2014, também foi o Dia das Mães. Em homenagem às mães que se esmeraram no encaminhar seus filhos no caminho do Bom Pastor Jesus, segue nosso agradecimento.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Mensagem 4º dom. de Páscoa A 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Jo 10.1-10 – 4º dom. de Páscoa A 2014
Jesus, o bom pastor que nos conduz
v. 4: “Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz”.
Quem já viu um pastor cuidando de seu rebanho de ovelhas deve ter percebido que elas têm uma postura diferente diante do pastor em relação a outras pessoas. Elas não tem medo do seu pastor. Elas confiam no pastor. E, por isso, elas obedecem e seguem o pastor.
Agora vai você tentar fazer o mesmo. Tenta chamar um rebanho para ver o que acontece. A ovelha pode até ser um bichinho bobo. Se você largar ela em um lugar estranho ela morre porque não sabe nem procurar comida nem se defender. Mas uma qualidade ela tem: Ela só segue a voz do seu pastor. E é isso que mantém ela segura.
Jesus, no texto de Jo 10, se apresenta como o bom pastor. Na perícope de hoje, é verdade que ele não diz isso explicitamente, afinal, o texto de hoje é uma parábola. Mas se a gente for só mais um versículo adiante, Jesus vai dizer o seguinte: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”.
Mas antes de falarmos de Jesus como pastor e quem pertence ao seu rebanho, é importante relembrarmos algumas coisas. Todos sabemos que um aprisco é como se fosse um curral, um piquete, só que de ovelhas. A diferença é que naquele tempo os apriscos eram cercados por muros altos para evitar que algum animal selvagem atacasse as ovelhas. O único jeito de entrar no aprisco era pelo portão.
E, muitas vezes, vários rebanhos eram colocados dentro de um mesmo aprisco para passar a noite. E pela manhã eles eram separados novamente. Mas, no meio de tantas ovelhas, como saber qual delas faziam parte do seu rebanho ou se pertenciam a outro pastor?
Em primeiro lugar, o pastor passava o dia todo cuidando atentamente do rebanho. Ele conhecia muito bem as suas ovelhas e era capaz de indicar a dedo cada uma das suas ovelhas. E em segundo lugar, as ovelhas conheciam muito bem o seu pastor. E só saiam do aprisco quando ouviam a voz dele.
Quando o pastor chamava, então, o seu rebanho, ele ia na frente preparando o caminho. Verificando se havia algum animal ou alguma coisa que pudesse atacar ou machucar as suas ovelhas. E assim ele fazia em qualquer lugar por onde as ovelhas tivessem de passar.
Essa era a imagem que os discípulos provavelmente tinham em mente quando Jesus proferiu aquela parábola. Mesmo assim, como em outras vezes, os discípulos não entenderam o que Jesus queria dizer com aquela história.
Não é assim que acontece também com a gente quando lemos a Palavra de Deus? Por vezes também não entendemos o texto e precisamos ler de novo e de novo e lá de vez em quando ainda temos que passar reto e entender esse texto difícil só depois a partir de um outro texto mais claro, mais fácil de entender.
Mas Jesus é bem claro aqui em todos os aspectos. Começando pela porta. Se a porta é o único lugar por onde se pode entrar no aprisco, evidentemente que se alguém tenta entrar pulando o muro é porque ele não é pastor. É ladrão, salteador ou mesmo uma fera selvagem. E Jesus deixa bem claro que o ladrão só vem para roubar, matar e destruir.
Quantos ainda hoje continuam entrando no aprisco por cima do muro? Colocam uma bíblia debaixo do braço, decoram um ou dois versículos e saem intitulando a si mesmos pastores, bispos, apóstolos sem nenhum estudo, sem nenhum preparo. E o pior de tudo: sem um chamado do rebanho.
Ninguém os chamou lá. Simplesmente chegam como intrusos, se dizem pastores, donos da verdade e ai daquelas ovelhas que não lhe derem ouvidos. E muitas dessas ovelhas, ou por medo ou por ilusão ou ingenuidade (e esta última na maioria das vezes) se deixam guiar por quem só quer roubar, matar e destruir.
Apresentam a Palavra de Deus de forma distorcida para satisfazer os seus próprios interesses e assim roubam das ovelhas a paz com Deus, a tranquilidade de consciência e, tirando delas a certeza da salvação, matam suas esperanças e destroem suas almas.
Já o bom pastor Jesus age de forma bem diferente. O pastor Jesus entra no aprisco pela porta. Porque Deus, o porteiro, sabe que ele é o legítimo pastor e que ele tem o direito de entrar pela porta porque não vai machucar as ovelhas.
O pastor Jesus não faz uso de ameaças. Não briga, não machuca nem extorque as suas ovelhas. Ele chama com voz calma e suave. Cada uma pelo nome. Ele ajuda, protege, socorre o seu rebanho com um amor que chega ao ponto de colocar a vida do rebanho como mais importante. Afinal de contas, o bom pastor dá a vida pelas ovelhas.
E quando Jesus chama o rebanho, imediatamente aquelas ovelhas que são do pastor Jesus ouvem a sua voz e o seguem enquanto as outras ovelhas ficam no aprisco. Jesus não precisa brigar. Não precisar obrigar as suas ovelhas a segui-lo. Porque as suas ovelhas, só de ouvirem a sua voz já se levantam e o seguem.
Mesmo sabendo que lá fora há perigos, dificuldades, que seria bem mais seguro ficar dentro do aprisco, as ovelhas que são de Jesus o seguem por onde quer que ele as leve.
Não é assim que acontece ainda? Afinal o pastor Jesus continua chamando todos os dias. E têm aquelas ovelhas que ouvem a sua voz e o seguem. E outras que preferem ficar acomodadas no seu aprisco. O chamado de Jesus para tomar a cruz e segui-lo em todas as circunstâncias nem todos querem aceitar.
E é nessa hora que o rebanho se divide. E fica bem claro aquelas que são do rebanho de Jesus e aquelas que não têm pastor e preferem ficar à mercê dos salteadores.
Nesse dia de dia das mães, dia em que lembramos de tantas mães que se esmeram, se esforçam, fazem de tudo pelo bem dos filhos. Mães que se privam de muitas coisas, inclusive noites de sono, para que os filhos possam ter tudo o que precisam e até mais.
Se essas mães não ensinarem seus filhos a seguirem o bom pastor Jesus, por mais que se esforcem, não vão ter ensinado nada. “De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma” é a pergunta que Jesus faz.
Mas a mãe que se dedicar a isso em primeiro lugar, a ensinar seus filhos a seguirem o pastor Jesus onde quer que estejam, sejam quais forem as dificuldades, terão ensinado a coisa mais importante da vida deles. E jamais eles vão ter o direito de dizer que faltou alguma coisa. Porque mesmo que tenha faltado alguma coisa, o mais importante não faltou.
Mas como reconhecer a voz de Jesus em meio a tantas vozes que dizem anunciar a sua palavra? Assim como o pastor de ovelhas, o pastor que recebe o chamado de uma congregação tem a função de guiar o rebanho no caminho seguro. E ele faz isso pelo ensino da Palavra de Deus e pela administração do batismo e da santa Ceia.
As ovelhas que aproveitam essas oportunidades são aquelas que saíram do aprisco porque ouvem e querem seguir a voz do pastor Jesus. Não precisa brigar ou ameaçar. Para quem faz parte do rebanho de Jesus, só o ouvir a sua voz já é o suficiente para segui-lo.
O ladrão, o diabo, sempre vem para tirar e destruir a vida. Já o bom pastor Jesus sempre vem para nos dar a vida, nos conduzir nessa vida e nos levar até os pastos mais verdejantes de todos na eternidade com ele. Como ovelhas que seguem o seu pastor, seguir o pastor Jesus também é o que nos mantém seguros. E por onde quer que andemos podemos confiar que Jesus vai na frente preparando o caminho.
Por isso todos que seguimos a voz do bom pastor Jesus, também podemos dizer com Davi: “bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre”. Amém.
 A summary…

Indeed, the sheep is not a clever animal. It cannot find food neither defends itself from other animals. But the sheep has a big quality: It follows only its shepherd’s voice.
In John 10, Jesus show himself as the Good Shepherd. He says: “I am the good shepherd: the good shepherd giveth his life for the sheep”. (KJV)
Jesus talk about the sheepfold, surrounded by a tall wall. And there is a door. Who enter by the door is the shepherd. But who enter climbing up the wall is a thief and a robber.
Nowadays, there are lots of thieves and robbers too. They are those who, without a call, entitle themselves as pastors, bishops or even apostles. And the flock, for fear, illusion or ingenuity let itself believes the robbers.
The good shepherd Jesus is absolutely different. He enters the fold by the door because God, the doorkeeper, knows who Jesus is the legitimate shepherd. Jesus does not fight or hurt the flock. He calls his flock with sweet and calm voice. He helps and protects the flock.
Even with the riskiness on the outside, the flock follows Jesus, because it trusts in the care and protection of his shepherd.
So we can also say with the Psalmist: “Surely goodness and mercy shall follow me all the days of my life: and I will dwell in the house of the Lord for ever”. Amen.
 

sábado, 3 de maio de 2014

Mensagem 3º dom. de Páscoa A 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Lc 24.13-35 – 3º dom. de Páscoa A 2014
Jesus caminha com a gente
v. 15: “Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles”.
Na trajetória da vida ter alguém do nosso lado é coisa que faz uma tremenda diferença. Não tem nada melhor do que ter uma pessoa em quem você pode confiar. Alguém com quem contar. Mas em alguns momentos específicos da vida ter esse alguém é algo imprescindível. Não dá nem para pensar em enfrentar esta ou aquela situação sozinho. Na hora do medo, da insegurança, nas horas de angústia a gente sente a necessidade de ter alguém do nosso lado.
O texto de hoje nos apresenta alguém com quem nós podemos contar sempre. Para esse amigo não há hora ruim. Ele está sempre disposto a ouvir o nosso lamento e nos consolar com as suas palavras.
Essa passagem, que só Lucas conta com maiores detalhes, é uma passagem, no mínimo, interessante. Não só porque esses dois discípulos não fazem parte do grupo dos onze, mas também pela forma como as coisas acontecem, a situação em que eles se encontravam e os sentimentos que atribulavam seus corações.
Os dois discípulos iam de Jerusalém para a aldeia de Emaús. Uma jornada de aproximadamente 11km. Portanto, uma viagem não muito longa, mas, para quem ia a pé, demorava um pouco. E estavam conversando sobre os últimos acontecimentos da região. Um tal de Jesus, que se dizia o Messias, ajuntou um grande grupo de seguidores dizendo ter vindo para ser o rei de Israel. Mas agora está morto. E assim eles iam conversando e discutindo.
Nisso Jesus se aproxima e, como alguém que só quer uma companhia para a viagem, tenta entrar na conversa perguntando qual era o assunto que tanto os preocupava. Surpresos com a pergunta e ao mesmo tempo tristes, os discípulos param diante daquele que só podia ser o único homem que parecia não saber nada a respeito de Jesus.
Interessante que Jesus não permite que eles o reconheçam. Não que estivessem cegos, mas simplesmente não lhes era possível reconhecer que aquele era Jesus. E assim eles contam a Jesus tudo o que havia acontecido em Jerusalém que era o que os atormentava tanto.
Nas suas palavras, os discípulos demonstravam tristeza, confusão, frustração. Falavam como quem está tomado de uma emoção angustiante. Misturando suas migalhas de esperanças a seus medos. Falam muitas coisas, mas não se prendem a nenhum assunto. Típico de quando os pensamentos são tantos que não é nem possível organizar uma ideia de forma sistemática.
Nós até poderíamos perguntar: Por que, então, Jesus não se mostrou logo para que eles cressem na sua ressurreição e não tivessem de sofrer mais ainda? A resposta é simples: Jesus queria que eles aprendessem a crer não só na sua presença física, mas na sua palavra porque isso é confiar verdadeiramente e é a sua própria palavra que cria em nós a fé verdadeira.
Por isso qual foi a atitude de Jesus durante aquela caminhada? A única coisa que ele fez foi anunciar novamente as Escrituras. Jesus não fez nada mais do que falar da Bíblia. E o texto diz que isso ardeu em seus corações. A palavra de Deus ardia em seus corações cada vez mais e mais até que finalmente seus olhos foram abertos.
- Jesus está aqui! Na nossa frente! E aí Jesus, de propósito, desaparece para que eles não esqueçam que é preciso confiar sem ver. E como a palavra de Deus havia novamente reacendido a fé daqueles discípulos, imediatamente eles voltam para Jerusalém para se encontrar com os outros cristãos.
Exatamente como Deus faz com a gente. A cada domingo em que Deus nos traz até aqui porque ele nos deu a fé e agora nós queremos nos reunir com os irmãos para sempre de novo ouvir a palavra de Deus que nos alcança e arde no nosso coração.
Aliás, muitas são às vezes em que também nos encontramos com os olhos contidos. De modo que Jesus pode estar bem do nosso lado que nós não o enxergamos. Isso pode acontecer por causa do pecado que está em nós e que nos separa de Deus. Mas também pode acontecer porque o próprio Jesus contém os nossos olhos.
Deus contém os nossos olhos para que aprendamos a crer sem provas visíveis, unicamente por causa daquilo que ele diz na sua Palavra. Quantas vezes nós queremos provas, sinais de que Jesus realmente está conosco? E normalmente queremos essas provas pedindo que Deus intervenha no nosso sofrimento o mais rápido possível.
Quando Deus contém os nossos olhos, somos lembrados que a fé precisa ser constantemente alimentada para que ela não enfraqueça. Pois mesmo a fé está sob o poder de Deus. Não que nós não creiamos em Jesus como nosso Senhor e salvador. Mas, no que depende de nós, nossa fé está sempre sujeita a vacilações e incertezas.
Sem dúvida, esse é um dos textos onde mais facilmente nos identificamos. Encontramo-nos, nos vemos no texto. Somos os discípulos de Emaús. Durante a nossa jornada, nem tão longa nem tão breve, passamos por muitos altos e baixos. Passamos por muitos momentos de tristeza e desconfiança. Momentos que não dá para enfrentar sozinho.
Mas Jesus é aquele que se aproxima. Que se interessa pela nossa causa. Que pergunta: - O que te aflige? O que perturba o teu coração. E que depois de ouvir todos os nossos lamentos, nos consola com as únicas palavras que realmente podem trazer conforto: A palavra de Deus.
Certo comentarista bíblico escreveu assim: “Este é sempre o efeito das palavras de Cristo. Quando estamos tristes e fracos, quando desejamos consolo e com alma sedenta ouvimos a palavra do Senhor, então nossos corações serão aquecidos com o conforto da salvação e do perdão do pecador, e a nossa fé, que estava prestes a se extinguir, é, mais uma vez, avivada até brilhar como uma chama vigorosa”.
Por isso, mesmo sem nenhum tipo de prova ou de sinal, mesmo que tudo indique a total ausência de Deus, podemos confiar de todo o coração que Jesus está do nosso lado. Quando, nas difíceis jornadas, caminhamos tristes, Jesus caminha com a gente. Jesus participa da nossa caminhada.
Justamente nos momentos de tristeza, confusão, frustração é que somos convidados a nos colocarmos nas mãos de Deus em completa confiança. Porque nele nós podemos confiar. Com ele nós podemos sempre contar.
Esse é o nosso Deus. Um Deus que não consegue ficar longe daquele que está atribulado na sua angústia, na sua dor, no seu desespero. É como se ele tivesse de vir, se colocar do nosso lado e compartilhar do nosso sofrimento.
E tudo isso apesar dos nossos pecados, dos quais o pior é o não confiar na providência e na bondade de Deus em todas as situações da nossa vida. Por isso não importa por onde andaste até agora. Não importa qual é a tua jornada. Jesus caminha com a gente! E vai continuar até o fim! Amém.
Fp 4.7: E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus para a vida eterna. Amém.