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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Mensagem Sexta-feira Santa A 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Jo 19.17-30 – Sexta-feira Santa A 2014
A morte de Jesus consuma a salvação
v. 30: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”.
No último domingo – Domingo de Ramos ou Domingo da Paixão – nós refletimos sobre a caminhada de Jesus para a cruz. O momento em que ele foi acusado pelos sacerdotes, pelos anciãos e pelo povo. Lembramos que tudo aquilo Jesus teve de sofrer porque ele havia assumido o nosso lugar, tomando sobre si a nossa culpa, os nossos pecados.
E concluímos com uma pergunta: Que fim levou essa caminhada de Jesus? A resposta é o próprio texto de hoje onde lemos o claro relato da crucificação de Jesus.
Especialmente aqueles que tiveram acesso ao Mensageiro Luterano ano passado, talvez se lembrem do tema do último Congresso Nacional da JELB [Juventude Evangélica Luterana do Brasil], que aconteceu em janeiro de 2013. O tema foi: “Tetélestai: A consumação do amor de Deus”. E todo o Congresso girou em torno desta palavra: Tetélestai.
Mas o que o é Tetélestai? Depois nós vamos falar um pouco mais sobre essa palavra, agora só o que importa é saber que Tetélestai é a penúltima palavra que Jesus disse antes de morrer. Tetélestai significa “está consumado”, “está completo”, “está concluído”. Tetélestai indica a vitória de Jesus.
E sobre o que foi essa vitória? Embora todos nós saibamos a resposta, hoje certamente é um dia que vale relembrar e refletir sobre o que Jesus venceu. Basicamente nós poderíamos dizer que toda a obra de Jesus, desde a sua vinda ao mundo até a sua morte, foi para vencer o pecado. A única razão porque Jesus teve de vir ao mundo é porque o mundo caiu em pecado e por ele estava contaminado, indo rumo à autodestruição.
Assim nós percebemos como o pecado é coisa séria. E como Deus leva a sério a luta contra o pecado. Uma luta que ele mesmo travou. O pecado não é uma coisa qualquer que sobreveio à humanidade. O pecado é um intruso na Criação de Deus. Deus não criou o pecado e ele não quer o pecado porque é isso que nos afasta dele e que ofende a sua santidade. Como escreveu o profeta Isaías: Os nossos pecados nos separam de Deus. E não só separam como ainda conduzem à morte e à condenação.
Por isso a vitória sobre o pecado sempre implicou em derramamento de sangue. E isso explica os tantos sacrifícios do Antigo Testamento. Porque o ser humano não tem forças contra o pecado. Muito pelo contrário, quando o pecado entrou no mundo passou a fazer parte da nossa natureza de forma que nós agora amamos o pecado. Nós somos perdidamente apaixonados por quebrar os mandamentos de Deus.
O povo de Israel oferecia sacrifícios, holocaustos, ofertas voluntárias, ofertas pela culpa, ofertas pelo pecado porque o ser humano, como tal, não tem o que oferecer a Deus em paga pelo pecado. Ele precisa de um substituto. Ele precisa de alguém que faça isso no lugar dele.
Deus sempre soube disso. E Deus quis ser o nosso substituto. Na pessoa do seu Filho Jesus Cristo ele tomou sobre si todos os pecados da humanidade e pagou por eles com o seu próprio sangue. Sangue puro, inocente. Por isso na nossa liturgia nós imploramos pelo perdão de Deus por causa da santa, inocente e amarga paixão e morte de seu amado Filho Jesus Cristo.
Nada é pelo nosso merecimento ou dignidade porque em nós não há mérito ou dignidade. E é essa consciência, esse reconhecimento da nossa completa indignidade que nos permite enxergar como é grande o amor do nosso Deus.
Deus não quer empecilhos que nos afastem dele. Mas já que havia, ele se propôs a tirar do caminho esses empecilhos. A misericórdia de Deus o levou a se banhar no sangue e no pecado com o único propósito de que nós não tivéssemos de sofrer as consequências do pecado que é a ira de Deus. Porque maior do que a ira de Deus é a sua misericórdia. É o amor que Deus tem pelo pecador que o leva a ser injusto consigo mesmo, entregando à morte o inocente, para que nós, apesar dos nossos pecados tivéssemos, em Cristo, a justiça de Deus e a vida eterna.
E se Jesus tomou sobre si todos os pecados, isso significa que Jesus também tomou sobre si todas as consequências do pecado. Como lemos em Isaías, ele tomou sobre si toda doença, toda enfermidade, dor, a angústia, o sofrimento, o desespero da humanidade. De modo que só em Jesus nós encontramos aquele que conhece a nossa dor, que participa do nosso sofrimento e no qual nós temos a força para enfrentar esses momentos da nossa vida.
Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Por isso nós lemos em Apocalipse: Quem são esses que serão salvos? São os que tiveram os seus pecados lavados no sangue do Cordeiro de Deus.
E pela sua vitória sobre o pecado, Jesus venceu também os outros dois inimigos: a morte e o diabo. A morte que entrou no mundo como castigo pelo pecado. Como Deus avisou antes da Queda; como o apóstolo Paulo escreveu em Romanos.
Porém também a morte Jesus carregou, a enfrentou e venceu da forma mais contraditória possível: morrendo. Quando Jesus enfrenta a morte cara a cara ele mostra que tem o poder de ser vitorioso sobre ela. E assim Jesus nos livrou também do poder da morte. Agora o apóstolo Paulo pergunta: Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
Também foi na morte que Jesus venceu o diabo, nos comprando com o seu santo e precioso sangue para que sejamos só dele e, assim, possamos viver novamente em obediência a Deus.
O pastor Rudi Zimmer, que palestrou naquele Congresso mencionado anteriormente, disse assim: “Qual era a intenção do diabo? Tudo o que o diabo queria, em todas as suas artimanhas, era impedir que Jesus consumasse a vitória sobre o pecado, a morte e ele próprio. Para isso, o diabo usou a mesma tática que utilizou com Adão e Eva: o caminho da exaltação. Quando lhes sugeriu que seriam ‘como Deus’, os olhos deles brilharam e eles comeram da fruta. Portanto, o diabo só poderia ser derrotado pelo caminho [contrário] da humilhação, da total obediência a Deus... E foi esse o caminho que Jesus escolheu andar, até o final”.
Normalmente vemos a Sexta-feira Santa como um dia de tristeza; um dia de lamentação. E é compreensível já que lembramos da morte do Filho de Deus. E mais do que isso, a razão da sua morte, que foi por causa dos nossos pecados.
Porém, Tetélestai não foi um grito de terror. Acabou! Não tem mais jeito! Não há esperança! Pelo contrário: Acabou! Está consumado! Tudo está completado! Não falta nada! A salvação está consumada na morte de Jesus de uma vez por todas!
Agora sim, vale a pena, também, ir um pouco mais fundo na palavra Tetélestai. Essa palavra se encontra no texto de modo a nos indicar que a morte de Jesus não foi simplesmente uma coisa que aconteceu no passado, mas uma coisa que aconteceu no passado e que tem uma repercussão por toda a eternidade.
Portanto, vejam que, em tudo, até na palavra que Jesus escolheu, ele queria garantir, certificar que tudo o que era necessário para a nossa salvação estava completo na sua morte.
A obra de Jesus foi completa. Foi perfeita. Por isso Deus não pede mais sacrifícios. Jesus já fez tudo. Ele foi o sacrifício de uma vez por todas. Com sua morte, Jesus conquistou a paz com Deus e a vida eterna. Não foi consumado. Está consumado! Amém.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Mensagem Domingo da Paixão A 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Mt 27.11-32 – Domingo da Paixão A 2014
O justo pelo injusto
v. 26: “Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado”.
Você já foi acusado injustamente? Já teve de pagar por algo que você não fez? Talvez isso, de uma ou de outra forma já tenha acontecido com todos nós. Quantas vezes alguém acaba sofrendo ou tendo de pagar por algo que não lhe cabe? Um apronta, mas é outro quem leva a culpa.
Na verdade, nesse tipo de coisa o ser humano já nasce com o título de mestre. A coisa mais fácil é notar como as crianças custam a admitir o que fizeram de errado. Sempre tentando empurrar a culpa para cima de outro. E se voltarmos à nossa infância vamos perceber a mesma atitude.
É o que nós vimos também no capítulo 27 de Mateus. E não numa coisa de criança, mas em uma decisão judicial. E aqui, mais uma vez, o culpado fica livre e o inocente é condenado.
Esse tipo de injustiça é uma das coisas mais comuns sobre a face da terra porque ninguém quer se dispor a assumir a própria culpa. Ninguém quer ter o mínimo esforço nem mesmo de reconhecer que errou. Muito menos de admitir.
E como essa atitude egoísta pode implodir uma amizade, pode implodir um casamento. Porque ninguém quer dar o braço a torcer. Cada qual só pensa em defender o seu ponto de vista e lutar para que o outro também enxergue as coisas como ele enxerga. Não há um colocar-se no lugar do outro. Não há um assumir o lugar do outro.
No final, a própria família acaba virando um “cada um por si e Deus por todos”. Porque ali não se pratica o perdão, a compreensão, o bom senso. E dessa forma, todos bem sabem que a coisa só pode ir de mal a pior.
E se, muitas vezes, não conseguimos ou não queremos assumir a nossa própria culpa, que dirá, então, assumir a culpa de outrem. Colocar-se no lugar de outra pessoa e, se necessário, pagar por algo que não fizemos em defesa do nome e da integridade daquela pessoa.
O Antigo Testamento mostra que essa atitude é coisa velha. Para falar a verdade, muito velha. Se quisermos chegar na origem desse egoísmo precisamos voltar até Adão e Eva e perceber como já lá, no paraíso, cada um passava a culpa adiante. Adão pôs a culpa na mulher, a mulher na serpente e ambos em Deus.
Assim vemos que a causa de tudo isso é o pecado que está dentro de todos nós. O pecado que me leva a fazer tudo o que vem na cabeça, sem medir as consequências, mas depois não querer assumir nem um dos meus erros. E quando não há como negar, então logo tentamos inventar uma desculpa para justificar o que fizemos. – Tá, é verdade, eu fiz tal coisa. Mas foi por causa disso e daquilo e por aí vai.
Enquanto isso o que Deus espera de nós é exatamente o contrário. Na sua Palavra, Deus nos ensina a viver em comunhão, se preocupando com o bem de todos; o auxílio mútuo: que cada cristão seja um refúgio e fortaleza do outro; Deus nos ensina a levar as cargas uns dos outros, ajudando, animando e orando por eles.
Por isso uma igreja que leva a sério a Palavra de Deus se reflete, em primeiro lugar, em uma vida congregacional ativa. Porque viver em congregação, como igreja, vai muito além de estar filiado a uma igreja. Tem a ver com reuniões, encontros, visitas, como formas pelas quais mostramos que somos cristãos não individuais, mas congregacionais, como Deus quer, e que nos preocupamos tanto com o nosso próprio crescimento espiritual como com o bem-estar dos nossos irmãos na fé.
E, assim, viver como admoesta a Palavra de Deus: em amor fraternal, em amor verdadeiro. Até o ponto de, caso necessário, e se parecer a melhor escolha, assumir a culpa para livrar de mais uma acusação aquela pessoa que talvez já esteja carregando um fardo maior do que ela consegue suportar.
Isso também é tomar da cruz. Não estamos aqui para apontar e divulgar pecados. Estamos aqui para encobrir e perdoar.
E não só podemos como precisamos agir assim. Importando-se uns com os outros e fazendo o que estiver ao nosso alcance pelo bem e pela honra de cada um.
E isso certamente não acontece espalhando os erros e os pecados de determinada pessoa. Mas, bem o contrário, encobrindo ao máximo e arguindo aquela pessoa para que corrija a sua vida, tenha uma vida cristã e dê bom exemplo aos demais.
Pois é o que Deus faz com a gente. Nós conhecemos o Sl 32 que diz: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto”. E também em Mt 18, Jesus diz: “Se teu irmão pecar, vai argui-lo entre ti e ele só”.
Portanto, a atitude cristã, nesse sentido, envolve três coisas. Primeiro, aprender a perdoar. Segundo, encobrir o pecado para proteger o nome e a honra da pessoa. E em terceiro lugar, ajudar a pessoa a corrigir a sua vida pecaminosa para que o pecado não a leve para longe de Deus e até mesmo à condenação.
E queremos fazer assim porque queremos seguir o exemplo do nosso salvador Jesus Cristo. Ele, que sempre buscou em primeiro lugar o perdão e a salvação das pessoas. Que direito nós temos de agir diferente de Jesus se ele, que é santo, não desprezou os pecadores?
E essa é a grande mensagem da Palavra de Deus: Que Jesus vem ao encontro do pecador, perdoa os seus pecados e o orienta em uma nova vida. Foi o que ele fez com todos nós e é por isso que nós estamos aqui como congregação, como filhos de Deus que querem louvar a Deus pela sua misericórdia.
Como poderia ser diferente? Como poderíamos deixar de dedicar nossas vidas a Jesus, se o texto de hoje nos compara com Barrabás? Você e eu, cada um individualmente é aquele por quem Jesus assumiu o lugar. Por quem Jesus se entregou à morte, sem dizer uma palavra, para que fôssemos libertados dos nossos pecados e da culpa que tantas vezes carregamos.
Somos nós que merecemos a condenação por causa dos nossos pecados. Mas Jesus assumiu o nosso lugar, a nossa culpa, a nossa dívida. E não por obrigação ou como que por armação. Mas de forma espontânea, movido unicamente pelo amor que Deus tem por cada um nós.
Agora, livres do peso do pecado e da culpa, queremos fazer como Simão e carregar cada qual a sua cruz com o mesmo entusiasmo do apóstolo Paulo que diz: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele”.
Ter de sofrer e pagar por algo que não fez pode ser injusto. Mas é uma das virtudes mais belas na vida do cristão. E Jesus é o nosso exemplo por excelência. Ele que assumiu o nosso lugar, tomou sobre si os nossos pecados e os carregou até a morte.
Por isso Jesus não quer ser só um exemplo de vida. Ele quer, antes de qualquer coisa, ser o nosso salvador e nos confortar com a certeza do perdão e da salvação que ele nos conquistou.
E como isso aconteceu? Isso já é assunto para o nosso próximo encontro. Até lá, que Deus nos abençoe com a certeza do perdão e da salvação que nós temos em Jesus. Amém.

sexta-feira, 4 de abril de 2014


Estreia do quarteto de flautas da congregação Cristo

Mensagem 5º dom. na Quaresma A 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Jo 11.1-53 – 5º dom. na Quaresma A 2014
Jesus é a ressurreição e a vida
vv. 25-26: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?”
Certamente um dos maiores tabus do ser humano (senão o maior deles) é a morte. Ninguém conhece a morte. Ninguém explica a morte. Ninguém sabe como é morrer. Por isso a morte, naturalmente, amedronta. Mesmo aqueles que dizem não ter medo da morte, quando veem que a hora se aproxima, muitos desesperam de medo, de incertezas e, porque não, de desconfiança.
De certa forma, a leitura do evangelho nos apresenta um contraste entre a morte e a vida. E não só o evangelho, mas, como nós lemos, todos os textos. O salmista clama “das profundezas” (mas com confiança). O profeta Ezequiel anuncia a Palavra de Deus a um monte de ossos (que ganham vida). E o apóstolo Paulo lembra que o Espírito Santo nos livrou do pecado e da morte (e assim nos trouxe para a vida).
Tudo começa, aqui no evangelho, quando Marta e Maria mandam avisar Jesus que o irmão delas, Lázaro, amigo de Jesus, estava doente. Mas a notícia não parece abalar Jesus. Tanto é que ele fica mais dois dias no lugar onde estava. E se enrola tanto que, quando chega em Betânia, Lázaro já estava morto há quatro dias.
Mas vejam, por que Jesus não teve pressa? Jesus não teve pressa porque ele tinha um plano. Jesus tinha uma razão para demorar tanto. No caso de Jesus, chegar quatro dias depois do velório não foi chegar atrasado. Foi chegar bem na hora.
É verdade que a primeira impressão que podemos ter é que Jesus estava indiferente àquela situação. Como se não estivesse nem aí para aquele acontecimento ou para o sofrimento dos familiares.
Não é essa também a impressão que, muitas vezes, temos na nossa vida? Como se Deus não estivesse preocupado com as nossas dúvidas, com a nossa dor, com o nosso luto? É como se Jesus estivesse sempre atrasado para nos atender, para nos ajudar.
Quando a dificuldade bate à porta queremos que Deus aja, e aja agora. Não queremos que Deus “se atrase”. E quando não acontece assim, pensamos que nossos planos são melhores ou mais elaborados do que os planos de Deus e tanto mais exigimos que Deus tome uma providência imediata.
Mas o que acontece é que Deus já tem tudo planejado. O que acontece é que Deus tem uma razão até mesmo para aquele momento de angústia, de medo. Muito pelo contrário do que costumamos pensar, Deus já está ouvindo nossas orações de súplicas antes mesmo de abrirmos a boca.
Jesus não ficou abalado com a notícia sobre Lázaro, primeiro, porque ele já sabia. E, segundo, porque ele sabia também exatamente o que ele devia fazer. Por mais que Marta, assim como nós, também pensou que Jesus chegou tarde.
E quando ele se aproxima de onde Lázaro estava sepultado não se contém e chora. Mesmo sabendo que minutos depois o ressuscitaria. Jesus chora. Jesus chorou porque amava Lázaro. E assim também Jesus chora quando vê a nossa dor porque ele também nos ama.
Em momento algum podemos pensar que Deus não tem propósitos para os momentos difíceis. Nós é que não entendemos os planos de Deus. E, muitas vezes, Deus nem quer que saibamos dos seus propósitos para que não creiamos nele sabendo do que vai acontecer. Mas para que creiamos com os olhos vendados. Em uma entrega completa de confiança. Para que creiamos em Deus e o busquemos sempre, em qualquer situação. Especialmente, quando somos tentados a pensar que Deus não está preocupado.
E quando falamos da morte, tanto mais a coisa se torna importante. Porque é naquela hora, na hora da nossa fragilidade, na hora do nosso maior medo que o diabo ataca com todas as forças.
É naquela hora que o diabo vai jogar na nossa cara a multidão dos nossos pecados para que não creiamos que Cristo pagou por todos esses pecados. E vamos nos entregar ao desespero total. Ou então, o que o diabo vai fazer é lembrar de todas as boas obras que fizemos. Vai nos fazer ver como fomos bons uns com os outros. E assim vamos pensar que merecemos o céu por causa das nossas boas obras.
E como vai ficar aquele que, quando tinha tempo, não buscou a Deus. Não procurou manter acesa e firme a sua fé pelos meios que Deus oferece, e todos sabem quais são: a Palavra e os sacramentos. Essa pessoa vai se entregar ao desespero por não confiar na obra de Cristo em lugar dela ou vai confiar nas suas boas ações e, assim, do mesmo jeito, desprezar a obra de Cristo?
Por isso Jesus deixa bem claro quem vai ter a vida eterna: “todo o que vive e crê em mim”. Quem crê vai ter a vida eterna e não só depois da morte, mas já agora. Por isso é preciso viver em Jesus. Ou seja, não é uma fé “da boca para fora”, mas uma vida dedicada a Jesus e orientada pela Palavra de Jesus.
Se a pessoa vai ao culto, presta atenção só na metade das coisas, depois volta para casa do mesmo jeito que veio, isso não parece um viver de quem vive em Jesus. E quando isso sempre acontece assim, é de se questionar até se essa pessoa realmente crê ou se ela acha que crê. Porque Jesus também disse em outra ocasião: Quem crê em mim ouve a minha Palavra e a guarda, a leva a sério, procura viver de acordo com ela.
É verdade que nós não temos a mínima condição de viver cristãmente. Precisamos constantemente que Deus, que nos deu fé, mantenha, alimente, fortaleça essa fé. Para que, no último dia, não sejamos levados nem pelo desespero, nem pela autoconfiança. Mas que simplesmente sejamos levados por Jesus.
Essa é a maior bênção que Jesus quer nos dar: a ressurreição para a vida eterna. Por isso viver ou não com Jesus não é uma decisão qualquer como comprar uma camiseta preta ou branca. É, literalmente, uma questão de vida ou morte.
Em Jesus nós temos a vida. E Jesus chegou “atrasado” nesse texto justamente para nos dar essa certeza. No versículo 25, ele diz: “Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”. E ao que parece, Jesus queria dizer algo como: Quem crê em mim, ainda que morresse, viverá. E essa pequena mudança pode fazer uma grande diferença.
Porque assim Jesus parece estar falando do próprio Lázaro, como exemplo. Como se ele não tivesse morrido. Mas, espera aí, Lázaro não morreu? A Marta até disse que já estava cheirando mal, por causa da putrefação.
Mas, então, a que conclusão chegamos? Concluímos que não existe a morte para quem está em Cristo Jesus. Quem vive e crê em Jesus não conhece a morte mesmo que tenha de passar por ela. Porque Jesus venceu a morte e, assim, nos conquistou a ressurreição e a vida eterna.
E é nessa confiança que nós vivemos até que Jesus venha dizer a cada um de nós também: “Vem para fora”. Vem para fora desse mundo de pecado, de sofrimento, de morte para um lugar onde não haverá mais luto, nem pranto, nem dor.
O apóstolo Paulo disse que todos nós éramos mortos em nossos delitos e pecados. Mas Jesus veio trazer a vida verdadeira, que é uma vida na sua companhia desde agora e para sempre. Com a vida que nós temos em Jesus nem a morte pode acabar.
A morte continua sendo um tabu. Para descrentes e também cristãos. Mas nós, que vivemos e cremos em Jesus, temos uma esperança que vai muito além da morte. Em Jesus, e só em Jesus, nós temos a salvação. “Crês isto?” Amém.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Mensagem 4º dom. na Quaresma A 2014



Igreja Evangélica Luterana Cristo – Juína
Pr. Edenilson Gass
Jo 9.1-7,13-17,34-39 – 4º dom. na Quaresma A 2014
Jesus é a nossa luz
v. 39: “Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos”.
Certamente uma das dádivas mais preciosas que Deus deu ao ser humano é a visão. Poder enxergar se algo está no caminho, o que acontece à nossa volta. Poder dirigir, ler, estudar e tantas outras coisas que sem a visão seriam, no mínimo, bem mais difíceis.
Hoje queremos refletir em um dos textos onde Jesus se apresenta como a luz do mundo. Não só a luz em si, mas também aquele que traz a luz ao mundo e que é ele que faz com que as pessoas enxerguem essa sua luz.
Jesus e os discípulos estavam caminhando quando viram um homem que era cego de nascença. Jamais havia visto a luz do dia. Como pessoas assim eram muito desprezadas, pois eram consideradas pecadoras, sendo que o defeito físico era visto como castigo de Deus, os discípulos fizeram uma pergunta a Jesus: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego”?
Quantas são às vezes em que nós também somos tentados a fazer a mesma pergunta? Ao nos depararmos com alguém que sofre por alguma razão, seja ela física, emocional ou mesmo espiritual, somos tentados a ver isso como castigos de Deus. Ficamos, então, a nos perguntar o que será ele ou ela fez para que Deus a castigasse com essa dificuldade, com essa doença ou seja lá o que for.
Exatamente como fizeram os amigos de Jó, que ao verem o seu sofrimento e a sua desgraça queriam de todas as formas forçar Jó a confessar um pecado do qual nem ele se lembrava. E automaticamente, no momento em que julgamos alguém pecador e o colocamos para baixo, nos consideramos mais justos e também superiores.
Nada muito diferente de quando o problema é com a gente mesmo. Então também começo a questionar a Deus: quais foram os meus pecados? O que eu fiz para merecer isso? De jeito nenhum queremos aceitar que o sofrimento possa vir de graça, como foi com Jó. Como foi com aquele cego. Ou eu cometi um pecado e Deus está me castigando, ou eu não fiz nada e Deus está sendo injusto.
É a esses nossos dilemas que Jesus responde quando responde aos discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus”. Mas como isso acontece? Como as obras de Deus se manifestam no sofrimento das pessoas? E que obras Deus quer manifestar?
Nós temos duas respostas a essa questão. A primeira é a mais óbvia, que é a cura daquele homem. Quando Jesus cura o cego de nascença, trazendo luz aos seus olhos, o poder de Deus se manifesta pelo milagre de Jesus.
E, de fato, não só nesse texto, mas em muitos outros também, os milagres de Jesus sempre causaram admiração nas pessoas. De modo que elas sempre chegavam à mesma conclusão: Este homem não pode ser só um homem. Ele tem que ser mais do que isso.
Então, com a cura do cego, uma das obras de Deus se manifesta: o cuidado de Deus, a preocupação de Deus, a providência divina. Deus não apenas curou aquele homem, mas até hoje continua cuidando de cada um de nós, nos dando saúde, disposição, alegria, família, bens e uma quantia incontável de bênçãos que podemos perceber até de olhos fechados.
O problema é que o pecado que há em nós não nos permite enxergarmos as bênçãos de Deus. Por mais que estejam bem na nossa frente, não enxergamos. E ainda como não bastasse não enxergar nem agradecer por essas bênçãos, nos achamos, muitas vezes, no direito de reclamar quando as coisas não acontecem como nós gostaríamos.
Mas, irmãos, o que é uma doença perto da condenação? O que é uma crise (conjugal, familiar, financeira) perto da condenação? Jesus, com a sua morte, nos livrou de uma coisa tão horrível, mas tão terrível que por nada nesse mundo nós temos o direito de reclamar ou exigir algo de Deus. Por mais difícil que seja. Por mais amargo, dolorido que seja. Nada se compara ao que nós realmente merecemos por causa dos nossos pecados que é a condenação.
E Deus faz a coisa assim de tal forma que em tudo, na alegria ou na tristeza, a Deus demos glória e louvor. Porque na dificuldade e no sofrimento, Deus não quer o nosso mal, mas quer nos chamar para perto dele a fim de que busquemos nele todo o auxílio que precisamos. E não no que nós somos ou possuímos.
Não nas bênçãos. Não no dinheiro, nos bens, na força. Porque tudo isso de uma hora para outra acaba, como aconteceu com o nosso irmão Jó. Mas, pelo menos, nesses momentos, em que percebemos que não há onde se agarrar, em que percebemos que tudo é passageiro, Deus nos acolhe em seus braços e diz: se agarra em mim.
Portanto, deveríamos dar graças a Deus pelas dificuldades na nossa vida. Não estou dizendo que somos capazes disso, mas assim deveria ser. Porque assim somos lembrados que ainda não estamos no céu. E que, por isso, vale todo o esforço necessário para estarmos sempre juntos do Pai celeste.
Juntos desse Deus que nos ama tanto ao ponto de, apesar da nossa ingratidão, das nossas muitas reclamações, se coloca do nosso lado, nos abraça, nos ajuda. E, em Jesus, faz até mais do que isso: Sente a nossa dor. Sente o nosso sofrer. E ainda sente prazer em ouvir os nossos gemidos e lamentações. Por isso, na alegria ou na tristeza, se olharmos bem, só o que podemos encontrar é o amor de Deus.
E a segunda resposta à questão sobre as obras de Deus e como elas se manifestam nós encontramos na incredulidade do perverso e na sua conversão. Jesus não quer apenas dar luz aos cegos, levantar aleijados, alimentar multidões. Na verdade, isso é o de menos. Jesus quer nos dar algo muito maior. E é isso que ele quer nos dar em primeiro lugar.
Diante das obras de Deus muitos creem, muitos não. E com o incrédulo Deus quer nos lembrar a nossa verdadeira natureza. Uma natureza que é inimiga de Deus. Uma natureza que não crê em Deus e nem pode crer assim. Muito menos chegar à fé de que Deus quer dar a salvação de graça entregando o seu Filho à morte em nosso lugar.
Somos todos incapazes de ir até Deus e ver em Jesus o nosso salvador. Somos todos espiritualmente cegos. Não conseguimos enxergar a maravilhosa luz de Cristo. E se não fosse pela infinita misericórdia de Deus em Cristo, continuaríamos nessa mesma condição. Com os olhos da fé completamente escuros.
Graças a Deus que o que ele quer nos dar não serve apenas para esta vida, mas para toda a eternidade. Por isso Jesus continua todos os dias a lavar os nossos olhos para que possamos continuar enxergando as obras de Deus todos os dias.
No que depende de nós, continuaríamos nas trevas do pecado, destinados à condenação. Mas Jesus fez e faz brilhar sobre nós a sua luz e, assim, ilumina os nossos passos com a sua palavra para que, diferente de quem tateia no escuro, saibamos exatamente para onde estamos caminhando.
Jesus disse: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. Assim também nós, enquanto estamos no mundo, estamos para iluminar. Não com a nossa luz buscando a nossa glória. Mas com a luz de Cristo para que as pessoas vejam as nossas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus.
Só Jesus pode trazer a luz aos que estão cegos espiritualmente. Só ele pode trazer a luz da salvação. Por isso ele continua, pela sua Palavra e pela sua Igreja, fazendo brilhar a sua luz. Luz de perdão, de orientação e de salvação. Amém.